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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

O SINCRETISMO RELIGIOSO DOS EVANGÉLICOS BRASILEIROS







Sincretismo é a fusão ou mistura de religiões ou filosofias estranhas, ou seja, é o processo pelo qual aspectos de uma religião são assimilados ou misturados com outra, levando a mudanças fundamentais em ambas.

O Dr. R. C. Sproul nos revela que este é um problema antigo:


No Antigo Testamento, Deus esta profundamente preocupado com a pressão e a tentação do sincretismo. Enquanto o povo de Israel se movia em direção à Terra Prometida, foi confrontados com religiões pagãs. Os deuses cananeus, Baal e Aserá, tornaram-se objetos da devoção dos israelitas. Posteriormente, o povo de Deus adorou os deuses nacionais da Assíria e Babilônia. A Lei de Deus advertia claramente a Israel não somente contra abandonar o Senhor Deus por outros deuses, mas também contra adorar deuses juntamente com o verdadeiro Deus. Os profetas advertiam quanto aos juízos que viriam porque o povo modificava sua fé para acomodar doutrinas e práticas estrangeiras. (R. C. Sproul, 3º Caderno).


E que perdurou no tempo do Novo Testamento:


O período do Novo Testamento foi marcado por um sincretismo difuso. À medida que o Império Grego se expandia, seus deuses se mesclavam com os deuses nativos das nações conquistadas. O Império Romano também era receptivo a toda sorte de cultos e religiões místicas. O cristianismo não ficou incólume. Os pais da Igreja não só difundiram o evangelho, mas também lutaram para proteger sua integridade. O maniqueísmo (filosofia dualística que via o físico como sendo mau) insinuou-se em algumas doutrinas. O docetismo (ensino que negava que Jesus tinha um corpo físico) foi um problema mesmo enquanto o Novo Testamento estava sendo escrito. Muitas formas de neoplatonismo fizeram um esforço consciente para combinar os elementos da religião cristã com a filosofia platônica e o dualismo oriental. A história dos credos cristãos é a história do povo de Deus buscando separar-se das tramas das religiões e filosofias pagãs. Todas as gerações de cristãos enfrentam a tentação do sincretismo. (Idem)


Assim como nos dias hodiernos:


A igreja hoje ainda enfrenta o mesmo problema. Filosofias não-cristãs, como o marxismo ou o existencialismo buscam o poder do cristianismo enquanto renunciam àquilo que é unicamente cristão. O sincretismo continua sendo poderosa ferramenta para separar Deus de seu povo. (Idem).



O Dr. Nicodemus demonstra o problema no Brasil falando sobre o misticismo supersticioso no apego a objetos sagrados, ele revela o seguinte:


O Catolicismo no Brasil, por sua vez influenciado pelas religiões afrobrasileiras, semeou misticismo e superstição durante séculos na alma brasileira: milagres de santos, uso de relíquias, aparições de Cristo e de Maria, objetos ungidos e santificados, água benta, entre outros. Hoje, há um crescimento espantoso, entre setores evangélicos, do uso de copo d’água, rosa ungida, sal grosso, pulseiras abençoadas,pentes santos do kit de beleza da rainha Ester, peças de roupa de entes queridos, oração no monte, no vale; óleos de oliveiras de Jerusalém, água do Jordão, sal do Vale do Sal, trombetas de Gideão (distribuídas em profusão), o cajado de Moisés... é infindável e sem limites a imaginação dos líderes e a credulidade do povo. Esse fenômeno só pode ser explicado, ao meu ver, por um gosto intrínseco pelo misticismo impresso na alma católica dos evangélicos. (A. Nicodemus Lopes, p.25)


Significa dizer que a religião evangélica brasileira só pode ser compreendida a partir de uma avaliação das suas raízes originais da colonização européia e sua mistura com os povos indígenas. A sua primeira fusão ocorre entre o Catolicismo Português e a religião indígena presente no Brasil pré-descobrimento, com suas crenças e superstições, para depois unirem-se a mística umbandista dos negros escravos trazidos da África (Hahn, Carl Joseph p. 19). O resultado da união dessas três matizes é um povo extremamente supersticioso e espiritualista, com alma profundamente mística. Dessa forma o povo brasileiro tem sua formação religiosa oriunda de uma fusão de religiões.
Um estudo mais profundo dos evangélicos brasileiros pode facilmente identificar traços de catolicismo medieval (indulgências, simonias, mediação de homens...) e dos cultos africanos e indígenas (danças, recebimento de espíritos, poções para banho, amuletos...).

Modernamente há uma mistura geral dessas crenças antigas com os cultos pagãos de adivinhadores e prognosticadores, algo que foi proibido pela Igreja Primitiva e pela Palavra (Dt. 18.10-14; Mc. 5.12). Por exemplo, no segundo século começam a ocorrer as primeiras heresias na igreja primitiva, no ano 150, aproximadamente, um movimento chamado Montanismo aparece no cenário e foi considerado como heresia pelos Pais Apostólicos. O historiador Dr. Alderi Souza de Matos diz o seguinte sobre esta seita:


Movimento de natureza carismática ou entusiástica — o primeiro da história da Igreja — surgido na Frigia, Ásia Menor, pouco após a metade do século II. Seus líderes eram Montano, um cristão que alegava ser o instrumento do Paráclito (o Espírito Santo), e duas profetizas, Priscila e Maximila. Denominado "Nova Profecia" por seus adeptos, o movimento visava preparar o caminho para a iminente volta de Cristo e o milênio. A Igreja devia ter uma vida moral rigorosa e sofrer o martírio. Por entenderem que eram dirigidos diretamente pelo Espírito, os montanistas se inclinavam a desprezar a Igreja institucional, atraindo a oposição dos seus líderes. Sob pressão intensa, o movimento sobreviveu no norte da África até o século V e na Frigia até o VI. (Matos, p.40).



Significa, então, dizer que o movimento foi visto como herético pelos discípulos dos apóstolos, ou seja, a Igreja Verdadeira! Isso porque ainda era a segunda geração, possivelmente os filhos dos apóstolos e das testemunhas do Cristo homem estavam vivos, pois estava muito próximo da ascensão de Jesus, apenas a segunda ou terceira geração. Portanto, se os Pais apostólicos não aceitaram o aparecimento de um homem que se dizia falar pelo Paráclito Eterno - O Espírito Santo de Deus – e as duas mulheres que “profetizavam” no culto, porque hoje existem tantas pessoas fazendo isso? Justamente porque ocorreu a mesmíssima coisa na Rua Azusa em Los Angeles, Califórnia. Um pastor afro-americano filhos de escravos chamado William Joseph Seymour que no dia 14 de Abril de 1906 em um prédio que pertencia a Igreja Metodista Episcopal Africana recebeu o Espírito Santo com todo o seu poder e a partir daí todos começaram a buscar este batismo.

A grande pergunta é: Se a Igreja Primitiva não aceitou o movimento carismático no segundo século, por que o da rua Azuza foi aceito no início do século passado?
Primeiro quero deixar claro que nada tenho a dizer sobre o Rev. Seymour, segundo relatos da época homem ilibado e correto. A minha queixa é contra a falta de senso histórico; o esquecimento do passado; o não abandono das religiões pagãs para seguir o cristianismo autêntico; o desejo pelas religiões místicas que falam do oculto e sobre o futuro; o abandono das Escrituras para preferir as “profecias” dos homens e a falta de conhecimento bíblico daqueles que transformaram o que ocorreu na Rua Azuza em algo muito mais parecido com o candomblé e o espiritismo do que parecido com o derramamento do Espírito da Escritura (At. 2.1-41).

Vindo para os dias de hoje no Brasil, é impressionante como há uma fusão; centros espíritas, cultos afros, igrejas pentecostais, neo-pentecostais e católicas carismáticas, são tão parecidas que seus cultos têm os mesmos elementos. Em todas há músicas (em alguns as mesmas), há danças no espírito, momentos de revelação e o falar em mistérios, isso sem falar das correntes e campanhas que servem para obtenção do favor de Deus .
O que é isso, senão sincretismo?!
Uma pena que muitos estejam cegos para ver.

E olhe que eu nem falei das correntes filosóficas!
Que Deus nos ajude.






Textos Básicos

1 Rs 16.29-34; 1 Co 10.14-23; 2 Co 6.14-18; Gl 3.1-14; Cl 2.8; 1 Jo 5.19-21

Sumário

1. Sincretismo é a fusão ou mistura de religiões ou filosofias estranhas nele.
2. Um dos problemas constantes da religião israelita no Antigo Testamento era a intrusão de religiões pagãs.
3. A igreja do Novo Testamento lutou contra a influência das culturas e religiões gregas e romanas.
4. O cristianismo moderno é ameaçado pelas tentativas de se combinar o pensamento cristão com religiões pagãs ou filosofias seculares.


Bibliografia:
Alderi Souza de Matos, Fundamentos da Teologia Histórica, Ed. Mundo Cristão, 2008.
Augustus Nicodemos Lopes, O que Estão Fazendo com a Igreja, Ed. Mundo Cristão.
Carl Joseph Hahn, História do Culto Protestante no Brasil, São Paulo, ASTE, 1989.
R. C. Sproul, 3º Caderno Verdades Essenciais da Fé Cristã, Editora Cultura Cristã, Apud.http://sites.google.com/site/estudosbiblicossolascriptura/Home/10a-vida-crista/10-a-vida-crista---pagina-02.

2 comentários:

  1. Boa noite, gostaria de saber se este texto está publicado em algum artigo para que possa fazer a citação do mesmo em meu projeto de monografia.

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