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sábado, 23 de março de 2013

JUDAÍSMO, JUDEUS E JUDAIZANTES




Já nos primórdios da Igreja o apóstolo Paulo teve que combater as tendências da heresia judaizante. Na epístola aos Gálatas ele adverte àqueles que foram distraídos pelo judaísmo e sua lei para que voltassem à graça do evangelho de Cristo. Também deixa bem claro que o judaísmo, assim como todo sistema religioso, faz parte deste "mundo mau". O apóstolo destaca que o propósito de Cristo, ao entregar-se pelos nossos pecados, era nos resgatar e nos tirar da religião judia e do "presente século" (cf. Gálatas 1.1 - 12).
Nos últimos cinqüenta anos as igrejas evangélicas têm sofrido uma notável atração por tudo o que possa ser relacionado a "Israel". A adoção do linguajar velho-testamentário, o estilo de adoração, a celebração de festas do calendário levítico não são mais que a parte visível do grave desvio doutrinário existente. Há uma tendência generalizada a acreditar que o atual Estado de Israel, os judeus como povo e a religião do Velho Testamento estão revestidos do favor divino.
Para sermos claros em nossa exposição queremos antes aclarar o que entendemos por judaísmo, judeus e judaizantes. Judaísmo é a formação social, cultural, política e religiosa do povo hebreu, baseada dogmaticamente no Velho Testamento e na tradição rabínica. De acordo com o uso comum na atualidade, o termo judeu faz referência à pessoa de descendência hebraica ou a outra convertida ao judaísmo. Conseqüentemente, judaizante é toda pessoa que observa, pratica e divulga os ritos e leis do judaísmo.
Em sete breves teses esperamos lançar luz sobre o assunto, e conclamar a Igreja para voltar aos padrões de fé da Nova Aliança firmada no sangue precioso de Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador (cf. Hb 7 - 10).

O Israel natural foi eleito e estabelecido para receber a revelação de Deus e preparar o mundo para a chegada do Salvador.

O SENHOR escolheu Israel como depositário dos oráculos divinos, e como um povo sacerdotal para adorar ao único Deus verdadeiro. "Agora, se me obedecerem e cumprirem a minha aliança vocês serão o meu povo. O mundo inteiro é meu, mas vocês serão o meu povo, escolhido por mim. Vocês são um povo separado somente para mim e me servirão como sacerdotes." Ex 19.5 - 6 (cf. Rm 3.1,2)
No seio do seu povo eleito o SENHOR prometeu que nasceria o Salvador do mundo, por meio dos profetas Ele anunciou que estabeleceria uma Nova e Eterna Aliança com todas as nações. O propósito da existência de um povo separado era esse somente. "Vamos subir o monte do SENHOR, vamos ao Templo do Deus de Israel. Ele nos ensinará o que devemos fazer, e nós andaremos nos seus caminhos. Pois os ensinamentos do SENHOR vêm de Jerusalém; do monte Sião ele fala com o seu povo." Is 2.3 (cf. Jr 31.31 - 34; Jo 4.22).

Os judeus naturais, na atualidade, não são o povo escolhido de Deus.

Os judeus, ainda hoje, crêem que o povo de Israel goza de uma relação especial e exclusiva com o SENHOR Deus. Através da história essa tem sido a idéia fundamental para a unidade, e sobrevivência, do povo hebreu. Do ponto de vista judeu Deus tem dois propósitos, um para Israel e outro para as nações (cf. Dt 7.6 - 8; Ex 19.5).
Numerosos cristãos têm o mesmo pensamento. Sem perceber que se trata de propaganda dos interesses da política norte-americana, a "direita evangélica" sente fascinação com Israel e crê que tudo quanto Israel faz deve ser apoiado e aprovado porque Deus está com Israel. Há alguns que, negando o claro ensino do Novo Testamento que Deus "rejeitou o povo de Israel" substituindo-o pelo "novo Israel", dizem que a aliança entre Deus e o povo judeu é eterna. Outros dizem que, no fim dos tempos, o Senhor obrará a conversão e a salvação de todo o Israel natural. Há, todavia, alguns que adotam a idéia de que sempre existiu uma relação inseparável entre Deus e Israel, chegando à conclusão de que somente os gentios deveriam se reconciliar com Deus mediante Jesus Cristo. "Jesus então perguntou: Vocês não leram o que as Escrituras Sagradas dizem? 'A pedra que os construtores rejeitaram veio a ser a mais importante de todas. Isso foi feito pelo SENHOR e é uma coisa maravilhosa!' E Jesus terminou: Eu afirmo a vocês que o Reino de Deus será tirado de vocês e será dado para as pessoas que produzem os frutos do Reino." Mt 21.42 - 43 (cf. Mt 23.37 - 38).

A aliança abraámica não é garantia de que os judeus são, atualmente, o povo escolhido de Deus.

Do ponto de vista do SENHOR Deus, pertencer à linhagem carnal de Abraão não é fator determinante para herdar as bênçãos da descendência dele. "Porque vocês foram batizados para ficarem unidos com Cristo e assim se revestiram com as qualidades do próprio Cristo. Desse modo não existe diferença entre judeus e não-judeus, entre escravos e pessoas livres, entre homens e mulheres: todos vocês são um só por estarem unidos com Cristo Jesus. E, já que vocês pertencem a Cristo, então são descendentes de Abraão e receberão aquilo que Deus prometeu." Gl 3.27 - 29 (cf. Jo 8.39).

Não existe salvação fora de Cristo.

Quando os apóstolos se viram confrontados com as autoridades do povo de Israel não duvidaram em testemunhar: "Jesus é aquele de quem as Escrituras Sagradas dizem: 'A pedra que vocês, os construtores, rejeitaram veio a ser a mais importante de todas.' A salvação só pode ser conseguida por meio dele. Pois não há no mundo inteiro nenhum outro que Deus tenha dado aos seres humanos, por meio do qual possamos ser salvos." At 4.11 - 12 (cf. Jo 14.6). Isso significa que, embora o povo judeu não desfrute mais do favor especial de Deus, existe a possibilidade para que os judeus individuais, assim como pessoas de todas as línguas, raças e nações, conheçam e se beneficiem da salvação em Cristo Jesus.
Os sacrifícios e leis da Velha Aliança mostram que o povo precisava de intercessão e perdão, porém eles não podiam operar a salvação eterna. Os profetas anunciaram que Deus, por meio do Messias, iria "terminar com o pecado e perdoar a iniqüidade" (cf. Is 53.1 - 12; Dn 9.24 - 27). Será que Deus poderia aceitar um povo que rejeitou, e ainda rejeita, o Salvador que Ele mesmo enviou?

Nem todos os judeus se converterão e alcançarão a salvação.

Quando Paulo diz que "todo o povo de Israel será salvo" devemos entender que está salvação se realiza não mediante a conversão de todos os judeus, mas pela "vinda" das nações. A confusão é causada, muitas vezes, porque algumas traduções vertem o versículo 26 assim: "E então, depois disso (hoútos), o restante de Israel será salvo." Todavia, a tradução mais adequada de hoútos é: "assim, desta forma, desta maneira, desse modo."
"Meus irmãos, quero que vocês conheçam uma verdade secreta para que não pensem que são muito sábios. A verdade é esta: a teimosia do povo de Israel não durará para sempre, mas somente até que o número completo dos não-judeus venha para Deus. É assim que todo o povo de Israel será salvo." Rm 11.25 - 26.
Outro ponto a ser considerado, para compreender o sentido exato, é o que Paulo escreveu precedentemente em Rm 2.28,29: "Portanto, eu pergunto: quem é judeu de fato e circuncidado de verdade? É claro que não é aquele que é judeu somente por fora e circuncidado só no corpo. Pelo contrário, o verdadeiro judeu é aquele que é judeu por dentro, aquele que tem o coração circuncidado; e isso é uma coisa que o Espírito de Deus faz e que a lei escrita não pode fazer." E, em Rm 9.6: "De fato, nem todos os israelitas fazem parte do povo de Deus."

Os acontecimentos atuais no Estado de Israel não são o cumprimento da profecia bíblica.

Lembramo-nos das palavras pronunciadas por um querido amigo, estudante do Seminário Rabínico Latino-Americano em Buenos Aires: "A esperança de Israel é ser restaurado pelo Messias. O atual Estado de Israel foi estabelecido pelos britânicos em 1948. A pergunta, então, é, são os britânicos, ou os norte-americanos, o Messias?" Os líderes do Estado de Israel não atribuem o seu estabelecimento a Deus, nem esperam nele para a sua sobrevivência, senão nos EUA e o seu poderio bélico.
O ideal profético é um reino de paz, onde será adorado o verdadeiro Deus, e onde as armas de guerra se tornarão instrumentos de trabalho. Mas a situação atual de Israel é completamente diferente; está submerso em constantes conflitos, no monte do Templo há uma mesquita muçulmana e, para sua estabilidade, dependem do poder militar e o apoio dos EUA. "No futuro, o monte do Templo do SENHOR será o mais alto de todos e ficará acima de todos os montes. Os povos de todas as nações irão correndo lá e dirão assim: 'Vamos subir o monte do SENHOR, vamos ao Templo do Deus de Israel. Ele nos ensinará o que devemos fazer, e nós andaremos nos seus caminhos. Pois os ensinamentos do SENHOR vêm de Jerusalém; do monte Sião ele fala com o seu povo.' Deus será juiz das nações, decidirá questões entre muitos povos. Eles transformarão as suas espadas em arados e as suas lanças, em foices. Nunca mais farão guerra, nem se prepararão para batalhas." Is 2.2 - 4.
A profecia diz que o SENHOR Deus restabeleceria o reino de Israel sob o reinado dum monarca da linhagem de Davi. O Estado de Israel é uma república. "Então diga-lhes que eu, o SENHOR Deus, tirarei os israelitas do meio das nações para onde foram. Eu os ajuntarei e os levarei de volta à sua própria terra. Farei deles uma só nação na sua terra, nas montanhas de Israel. Eles terão um só rei para governa-los." Ez 37.21,22.
Os acontecimentos no Israel contemporâneo devem ser encarados como o que realmente são, uma parte dos acontecimentos globais preditos nas Escrituras. Uma entidade política, estabelecida pelas superpotências para garantir o seu poder e domínio sobre aquela região, não pode ser tomada como o cumprimento das promessas do Altíssimo. O espírito que anima os atos do Estado de Israel inclui guerras, negação de Deus e amor ao dinheiro, todas coisas contrárias à lei do SENHOR!

As profecias sobre a restauração de Israel se cumpriram, e se cumprem, entre o "Israel de Deus", a Igreja de nosso Senhor Jesus Cristo.

Deus estabeleceu um novo e eterno pacto, por meio de Jesus Cristo, cumprindo assim a profecia de Jeremias 31.31 - 34. Esta nova aliança foi feita com os fieis discípulos de Jesus, não com o povo judeu. "Este cálice é a nova aliança feita por Deus com o seu povo, aliança que é garantida pelo meu sangue, derramado em favor de vocês." Lc 22.20 "Pois, se a primeira aliança tivesse sido perfeita, não seria necessária uma nova aliança. E, quando Deus fala da nova aliança, é porque ele já tornou velha a primeira. E o que está ficando velho e gasto vai desaparecer logo." Hb 8.7,13.
O "Israel de Deus" não está constituído pelos descendentes naturais de Abraão, antes, como Paulo declara em Gl 3.26 - 29, Deus constitui filhos e herdeiros de Abraão àqueles que pertencem a Cristo e são gerados pelo Espírito Santo. "Não faz nenhuma diferença se o homem é circuncidado ou não; o importante é que ele seja uma nova pessoa. E, para todos os que seguem essa regra na sua vida, que a paz e a misericórdia estejam com eles e com todo o povo (Israel) de Deus!" Gl 6.15,16.

Palavras finais.

A autoridade da doutrina e prática cristã é o Novo Testamento, sem tradições, sem concílios eclesiásticos, e sem misturas com a religião da antiga aliança.
Os verdadeiros cristãos magnificam o Novo Testamento como a sua autoridade, e se esforçam por reproduzir os seus ensinamentos. As doutrinas básicas que caracterizam a fé cristã novo-testamentária são:
- Separação do espírito do Mundo; sob a antiga aliança os interesses da religião estavam sempre ligados aos interesses do Estado, ao domínio e à ganância.
- Não-violência; sob o velho pacto o povo de Deus podia participar do governo, da guerra, e levar causas diante dos juizes seculares, mas o Senhor Jesus disse aos seus discípulos: "amem aos seus inimigos e orem pelos que perseguem vocês." Mt 5.44 (cf. Mt 5.38 - 48).
- Simplicidade; a medida da aprovação de Deus, sob a antiga aliança, era a quantidade de riquezas que alguém acumulava, mas os verdadeiros cristãos têm os seus tesouros no céu: "Pois, onde estiverem as suas riquezas, ai estará o coração de vocês." Mt 6.21 (cf. Mt 6.24 - 34).
Nas palavras de Leonhard Schiemer: "Embora seja bom lermos nos [livros dos] profetas, nos [livros dos] reis, e em [os livros de] Moisés, não é absolutamente necessário [para a salvação]. Encontra-se tudo no Novo Testamento."

Fonte: http://www.teologiaclub.com

2 comentários:

  1. Desejo-lhe paz de Jesus.
    Seu blog é muito bom, e pela escrita nota-se que á alguém que ama Deus e ao proximo.
    É lendo blogs como o seu que crescemos e aprendemos, blogs que ensinam sobre uma nova vida e dão esperança nesta vida de correria. Gostei do seu abençoado blog.
    Aproveito a oportunidade para compartilhar também meu blog. Peregrino E Servo.
    Que Deus continue a abençoar-vos ricamente.
    Ps. Se desejar seguir o meu humilde blog, saiba que irei retribuir.
    Antonio Batalha.

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