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quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Derrubando o altar de Baal


Juízes 6.25
"E aconteceu naquela mesma noite, que o Senhor lhe disse: Toma o boi que pertence a teu pai, a saber, o segundo boi de sete anos, e derruba o altar de Baal, que é de teu pai; e corta o bosque que está ao pé dele."

Olhando criticamente para o texto de Juízes,percebemos que Israel vivia em clãs,não havia ainda a unidade de um reino.O texto diz também que os saqueadores da colheita subiam contra os filhos de Israel,deixando claro que viviam em regiões de montanhas.Percebemos também,que as planícies não eram de domínio dos israelitas,as planícies só viriam a ser conquistadas no reino de Davi.

Não vivendo a unidade de um reino,mas subdivididos em clãs,os israelitas sofriam constantes ataques,não havia um exército organizado para a defesa,cada um se defendia da maneira que podia,as pessoas empobreciam devido aos constantes saques,havia também a acusação de Deus contra a idolatria daquelas pessoas e nesse momento parece haver instantes de lucidez entre o povo,clamam a Deus e Ele chama a Gideão como líder de uma campanha contra os midianitas e demais invasores.
Um fato me chama a atenção na chamada de Gideão,ele não era o líder guerreiro que talvez aquelas pessoas esperavam,apresenta grande insegurança na chamada de Deus,inventa uma série de desculpas na intenção de se desvencilhar dessa missão e não parece nem um pouco interessado em ser o líder daquele povo.

A parte marcante que me instiga o pensar é o versículo 25.Havia um altar de Baal na própria casa de Gideão,e Deus mostra-se incomodado com aquele altar e pede que Gideão o derrube.Esse versículo me faz entender o porque Deus chama a Gideão,a idolatria começava pela sua própria casa,ali havia um altar em que todo o povo se dirigia a idolatria,e ele e seu pai eram os responsáveis diretos pela manutenção dele.

Na vida de muitos de nós,talvez exista um altar de idolatria conforme havia na casa de Gideão,quantos que se dizem remidos por Cristo,ainda manifestam um amor intenso pelo dinheiro ou bens materiais.Não são poucos que possuem por idolatria ao carro,ao filho,a festas,a casa.Esquecem que idolatria não somente pode ser atribuída a ídolos,a deuses estranhos,mas sim a qualquer outra circunstância ou coisa que tome a soberania que Deus deve ter em nossas vidas.

Devemos constantemente nos policiar,devemos diariamente refletir sobre a importância Divina em nosso viver,tal reflexão certamente nos ajudará a sabermos como está o trono de nosso coração,sobre quem está reinando sobre esse trono,se Deus ou Baal.

Nesse texto,Deus nos alerta a estarmos vigilantes,a sermos prudentes quanto as nossas escolhas,a vida moderna oferece muito entretenimento,tecnologia e diversão.Temos, em meio a tudo isso,tido como altar maior de nosso ser a Deus? Temos tido o mesmo amor pelo devocional diário que temos pelas redes sociais? Temos dedicado tempo de orações e louvores,assim como dedicamos aos nossos carros? Podemos dizer que espiritualmente estamos muito melhor do que a aspiração por uma conta bancária? A casa,a família ou os filhos ocupam o trono que deveria ser do Altíssimo Deus?
Reflita de forma sincera para consigo,tal reflexão pode ser determinante em saber se o altar da idolatria persiste em sua vida.Gideão,mesmo em meio a sua timidez e medo foi convocado a derrubar o altar de Baal,Deus convoca a cada um de nós a fazermos o mesmo

Roger Sola Gratia

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

O fracasso humano na cruz

Deuteronômio 21. 22-23 – “Se alguém houver pecado, passível da pena de morte, e tiver sido morto, e o pendurares num madeiro, o seu cadáver não permanecerá no madeiro durante a noite, mas, certamente, o enterrarás no mesmo dia; porquanto o que for pendurado no madeiro é maldito de Deus; assim, não contaminarás a terra que o SENHOR, teu Deus, te dá em herança”.

Gálatas 3.13 – “Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar (porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro)”


A semana nem começou e já presencio um burburinho de indignação entre católicos e evangélicos a respeito da fala do Papa nos E.U.A,gritam a plenos pulmões e dedicam longos textos contra,o que segundo eles,foi uma afronta a cristandade.Causou muita indignação para tais a afirmação de que Jesus humanamente fracassou na cruz.

A mensagem atual do Evangelho pregado em nossas reuniões não admite o fracasso,vivemos um tempo de pregações,estudos e canções triunfalistas,onde inimigos são derrotados,onde o crente não pode padecer,sempre será um vencedor,tempo em que a palavra de ordem é vencer,vencer e vencer.Ninguém admite a derrota,o fracasso e a vergonha.Para tais, isso não pode ser atribuído a quem serve a Deus,pois o deus dessas pessoas jamais permitiria o infortúnio.Sentem uma verdadeira fixação por Salmos como o de número 91,acreditam piamente serem a "menina dos olhos" para tal deus,e ai daquele que tocar em tal ungido,a morte é certa.

Infelizmente,mal sabem que estão mais para remela do nariz desse deus do que para menina dos olhos,desconhecem e descaracterizam ao Altíssimo somente pelo abrir de suas bocas,pois suas palavras podem ser atribuídas a qualquer outro deus,mas não ao Eterno.O Deus ao qual as Escrituras nos apresentam,fez de seu filho um maldito segundo Deuteronômio e Gálatas,a cruz culminou no fracasso humano de Jesus,e de todos quantos carregam as suas cruzes.No evangelho só temos a perder,pois quem é crucificado em uma cruz morre,assim morremos diariamente.Aquele que escolhe o Evangelho, reparte,logo,se vê repartindo novamente,e continua a repartir até que não tenha mais nada.

Aquele que escolhe o Evangelho é um servo de seu próximo,sua meta é servir,fazer o seu eu mortificar a cada instante.O que escolhe o Evangelho já sufocou suas vaidades,pois a vida o ensinou a estar contente com o que possui.O que escolhe o Evangelho carrega sobre si as marcas da flagelação,dedica-se a vida devocional,a oração aos pés de seu Senhor é cotidiana,nisso,sofre com os que sofrem,chora com os que choram,não tem por valiosa sua própria vida caso seja preciso morrer . Aquele que escolhe o Evangelho fracassa,assim como humanamente fracassou Jesus,Paulo,Pedro,Tiago,João,Policarpo,Filipe e etc.

Sei que será difícil para alguns entenderem o que estou dizendo nessa reflexão,principalmente porque o fracasso não tem sido a raiz motora no ensinamento que recebem,o triunfalismo se faz presente no cotidiano,vivem o engano do "nasci para vencer" quando na verdade isso nunca fez parte dos textos bíblicos.Se está difícil digerir tais linhas escritas,peço que por um instante medite em como foi a vida dos grandes heróis da fé descritos em sua Bíblia,medite humanamente,desligue por um instante o botão de "vitória" ou "receba" e veja como foi o fim humano de cada personagem.

As Escrituras declaram que aquele que for morto em uma cruz,será um maldito,você tem carregado a sua cruz? Se tem carregado sua cruz,é para qual finalidade? Eu respondo para você,só carrega a cruz aquele que será morto nela,logo,humanamente falando,fracassaremos também.

A nova que o Evangelho nos apresenta,é que perdemos para ganhar,humanamente perderemos tudo,espiritualmente ganhamos o direito de sermos chamados filhos de Deus. Humanamente, frágeis,espiritualmente,firmados na Rocha,salvos pelo Sacrifício de Cristo na cruz
Bem vindos a loucura do Evangelho,onde os últimos serão os primeiros e quem perde,ganha.

Roger Sola Gratia

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

A humildade,grandeza de um rei

Lucas 1.46.47

"Disse então Maria: A minha alma engrandece ao Senhor,
E o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador;"

O texto em questão relata a visita de Maria,a mãe do Senhor, a Isabel,a mãe de João Batista.No texto,nos remetemos a Palestina dos tempos do grande anúncio do nascimento de Jesus e também de João Batista,um tempo de domínio Romano,e claro que na mente de todo judeu dessa época,qualquer que fosse o Messias,teria que ser um guerreiro libertador,aquele que restabeleceria o grande trono de Davi e traria de volta a soberania da nação de Israel.

Todos nós em momentos de grande angustia e aflição,queremos uma intervenção Divina em nossas vidas,nisso, não somos nada diferentes daqueles que israelitas,basta observarmos o slogan da igreja moderna,tantas correntes,campanhas,tantas promessas de milagres,prosperidade e curas,que fica difícil para aquele que sofre escolher o lugar da "oração mais forte" a que deve ir.Geralmente,o que sofre procura aquelas denominações que investem maciçamente na propaganda televisiva,os cultos já não trazem liturgia alguma,não há um forte exposição da Palavra de Deus,não existe um momento de contrição,não se fala em momento algum daqueles que vivem sob as marquises dos centros urbanos,ou seja,só existem testemunhos,afinal esse é o marketing,muitos testemunhos.

Não diferentes daqueles judeus dos tempos de Jesus,que estavam preocupados apenas com o restabelecimento do reino a Israel,ou seja,preocupados com eles mesmos,assim são os nossos dias,uma multidão atrás de benefícios próprios,querendo de alguma forma mover a atenção do Criador apenas para si,para seu próprio bem.

No entanto,o cântico de Maria,nos mostra uma realidade bem diferente de contentamento com Deus e de como Deus ministra graça na vida do ser humano,o cântico deixa claro que Deus atenta para os humildes,esses sempre serão bem aventurados,e independente de serem "baixos" estão sempre se regozijando em seu Deus e Salvador,para esses a pretensão de ser "grande" nunca existiu,pois sabem que isso seria a própria ruína,sabem que Deus milita incansavelmente contra todo tipo de soberba e ego inflado.

O contentamento do humilde está justamente nisso,em ser humilde,não existe exaltação maior do que essa,a humildade é uma força mais poderosa que tronos de reis,pois em sua humildade existe o cuidado com o desprovido,pois ele não se julga superior,ele se faz semelhante e faz brotar de dentro de si a misericórdia que só poderia brotar daquele que se mantém incansavelmente conectado com o Trono da Graça,o Trono do Deus misericordioso.

Em poucas palavras,o cântico de Maria nos ensina que o contentamento com Deus reside nas pequenas coisas,reside no cantar dos pássaros,no vento fresco no rosto,na simplicidade de um copo de água gelado no verão,na natureza, que manifesta por si só a glória do Criador,no sorriso esperançoso de uma criança,na absorção da experiência do idoso,na preciosa amizade, na cumplicidade do lar.Tal contentamento,é ainda maior no servir,no cuidar,no alimentar,no estar junto,na partilha,na visita.Para tais,todas as coisas são dádivas do Criador,ele sempre está contente,ele sabe viver de qualquer forma e sempre em grande contentamento,pois ele é humilde,ele manifesta a grandeza de um Rei

Deus nos abençoe em Jesus Cristo

Roger Sola Gratia

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Vinde,benditos de meu Pai







Mateus 25.34

"Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo"

Algo muito peculiar ao homem é a disposição de fazer planos,esses planos,sempre visando o futuro,sempre são planos de grande expectativa,planos grandiosos,onde de antemão,precisa-se depreender muito esforço,foco,vontade e ânimo,para que assim,quando chegar o momento ao qual foi planejado,tudo esteja em conformidade e atenda as expectativas geradas.

Coisa comum em nosso tempo é o planejamento da casa própria,do casamento,da compra do carro,a vinda dos filhos,a aposentadoria,entre tantas outras coisas,e sempre planejamos pensando em um futuro melhor,em uma época de tranquilidade,paz e descanso da correria diária.


O relato bíblico de Mateus 25.34 nos mostra que Deus não só planejou,mas já preparou um lugar para os seus eleitos,Ele preparou um lugar para os designados "benditos do Pai",aqueles que amaram até o extremo de suas forças ao seu semelhante,para aqueles que por tal amor se dedicaram aos excluídos,para aqueles que foram mensageiros da esperança,para aqueles que deram tudo de si pela paz,para aqueles que alimentaram os que tanto sentiam fome,para os donos das mãos que levaram água aos sedentos,para aqueles que vestiram os nus,nem que para isso se desfizessem de suas próprias vestimentas,para aqueles que generosamente hospedaram aos que nos piores momentos de sua vida se viram sem moradia alguma,para aqueles que de alguma forma fizeram os doentes sorrir,tirando-lhes assim,mesmo que tenha sido por poucos instantes,um sorriso de alívio para suas dores e traumas,e pasmem,para aqueles que demonstrando o caráter do que é ser um pequeno Cristo,viam com o amor que somente a mortificação na Cruz pode trazer,a possibilidade de reabilitação nos que estão presos,desfazendo assim aquele ditado infeliz de que "bandido bom é bandido morto".


Para esses,o Pai Celeste preparou um Reino todo especial,para esses a fé no Cordeiro imolado na Cruz não é apenas convencimento,é conversão,é mortificação do orgulho,do eu interior,para esses a sepultura nunca será o fim,a morte jamais poderá detê-los,pois nasceram para servir a Deus,na imagem de seu próximo.


Que Deus nos acrescente graça,mortificação e cruz para que alcancemos diariamente a condição de "benditos do Pai"


Roger Sola Gratia

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Hospedando a alma necessitada






Mateus 25.35

"...era estrangeiro,e hospedastes-me;"

Diante de nossos olhos,vemos o maior êxodo humano desde a segunda guerra mundial,homens,mulheres,idosos e crianças em uma imigração de proporções assustadoras,deixam sua terra natal (Síria,Iraque norte da África) e partem em busca de um pouco de humanidade e paz em terras europeias,buscam desesperadamente a parte norte do continente.

Se pararmos para refletir nas causas desse êxodo,veremos que o fundamentalismo religioso associado as guerras que ele causa,tem sido o ponto chave de tal deslocamento.As pessoas deixam seus lares,(já devastados),seus parentes,seus amigos e tudo aquilo que representou uma vida,para ter que recomeçar em outro lugar,um lugar completamente estranho,com outra língua,outra cultura,outros costumes,na esperança de viver uma vida com um pouco mais de esperança. Muitos não conseguem chegar,milhares são as vidas que se perdem nesse deslocamento,muitos se afogam nas águas do mar Mediterrâneo,outros enfrentam a intolerância daqueles que não querem estrangeiros em suas terras,pessoas que os enxergam como uma ameaça,uma ameaça a economia,uma ameaça a segurança,e espantem-se,até mesmo uma ameaça ao Cristianismo.

Como Cristão,fico confuso com o que pensam tais cristãos, (se é que podemos assim chama-los) passam a vida orando para que surjam missionários que saiam em busca dos eleitos de Deus em terras estrangeiras,mas quando o próprio Deus lhes abre a oportunidade de receber tais estrangeiros,para então,terem a oportunidade de falar do Evangelho da Cruz,,e consequentemente terem a oportunidade de serem missionários,enviados do Deus a que servem,pulam fora e apelam para a "preservação dos valores cristãos"

A Bíblia nos ensina em Mateus 2.12-15 que nosso Salvador,o nosso Senhor Jesus Cristo,já foi um peregrino,um refugiado,o relato bíblico nos conta que sua família fugiu de um ditador sanguinário,que queria a custa de muito sangue derramado,se manter no poder,e para isso foi até as últimas consequências,derramando muito sangue inocente na sua sede interior por poder

Não nos resta outra escolha,sendo salvos por esse mesmo Salvador,que um dia foi um refugiado,senão a de acolher,a de receber bem,a de hospedar,a de mostrar amor,a de suprir,a de fazer todo o possível,até mesmo usando o limite de nossas forças e posses,para que tais refugiados tenham entre nós um abraço amigo e um sentimento de estar entre irmãos,como irmãos que dividem a própria casa e se importam um com o outro.

Claro que a realidade brasileira é bem diferente daquela vivida na Europa,mas nesse pequeno texto de Mateus 25.35 Deus nos convoca a olhar pelos da nossa própria pátria,Deus nos convoca a um olhar mais humano pelo dependente químico,Deus nos convoca a telefonar para os que sofrem desgostos,Deus nos convoca a abraçar mais aqueles que nos rodeiam,nos convoca a se importar com o orfanato do bairro,Deus nos convoca a sorrir para o próximo,a tirarmos de nós a cara amarrada e substituirmos ela pela simplicidade do amor de Cristo,claro que essa simplicidade resultará em um grande sorriso de acolhida

Que Deus em Cristo nos abençoe

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

EM JESUS CONHECEMOS DEUS.


REFLEXÃO EM JOÃO 5.2-4
2.Ora, em Jerusalém há, próximo à porta das ovelhas, um tanque, chamado em hebreu Betesda, o qual tem cinco alpendres.
3.Nestes jazia grande multidão de enfermos, cegos, mancos e ressicados, esperando o movimento da água.
4.Porquanto um anjo descia em certo tempo ao tanque, e agitava a água; e o primeiro que ali descia, depois do movimento da água, sarava de qualquer enfermidade que tivesse.
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Jesus entra neste tanque, chamado Betesda, os Judeus difundiam entre eles a noticia de que vez por outra um anjo vinha e mexia as águas desse tanque e o primeiro que pulasse na água era curado de toda a doença.
Ora, basta qualquer pessoa com o mínimo de senso critico, para ver que este sistema é cruel. Transformar a fé em uma corrida pelo milagre, onde o primeiro, o mais esperto, o mais hábil é quem recebe o milagre.
Este sistema é no mínimo cruel, cruel com o doente, cruel com o mais necessitado.
E Jesus entra neste tanque, sai em busca deste paralítico, que espera por um milagre há 38 anos, claro, ele era doente, pobre, quando ele iria entrar na água? E Jesus olha para ele e diz: ”levanta toma tua cama e vai para casa”. Desmonta uma lógica religiosa cruel e apresenta um Deus que se preocupa e olha para o mais necessitado, o mais fraco, o menos capaz, o mais carente.
Por isso nos temos boas noticias, você que se acha o menos capaz, o menor, o mais fraco. Refaça sua ideia de Deus, pois ele olha pra você sem nenhuma distinção. Jesus nos mostra, através de seus atos e palavras, que Deus faz opção pelos rejeitados e abandonados por sistemas cruéis,que transformam em mercadoria, a graça e o milagre, que gratuitamente encontramos em Deus,somente pela fé, podemos alcançar o milagre. Em Cristo podemos encontrar e conhecer Deus.
(Heitor P. Junior)

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Os absurdos que os crentes falam



Vida cristã além dos jargões e clichês
A vida cristã necessita ir além dos jargões e clichês que são produzidos e reproduzidos ao longo da história eclesiológica. Os jargões são terminologias técnicas ou dialetos comuns a uma atividade ou grupo específico, e são normalmente utilizados em grupos profissionais ou socioculturais. Nos guetos evangélicos não é diferente. Temos nossos jargões, expressões ou frases que são sempre utilizadas para aconselhar, confortar ou encorajar alguém. No entanto, esses jargões que utilizamos e falamos a torto e a direito por aí, não resolvem e nem sequer colaboram para a resolução dos problemas da vida moderna. Os crentes adoram utilizar essas expressões para tratar dos problemas dos outros, mas têm certeza de que essas expressões de nada valem e sempre ficam irritados quando esses jargões são ditos a eles. Para bem da verdade, o grande problema desses jargões é que, em sua maioria, denotam a falta de profundidade teológica, as heresias e egoísmo presentes no ambiente evangélico. Particularmente, tenho um sério problema com os jargões evangélicos. É como se meu ouvido doesse cada vez que um jargão evangélico fosse pronunciado. É por isso que considero importante analisar e porque não criticar o absurdo que denotam alguns desses jargões evangélicos. Vamos lá!
“A oração é alavanca que move a mão de Deus”
Também tem sua variação como sendo “a fé a alavanca que move a mão de Deus”. Esse jargão parece verdadeiro e inofensivo, mas basta uma análise um pouco mais minuciosa para ver como ele é falso e até satânico. Em primeiro lugar, se há algo que um ser humano possa fazer para que Deus se lembre ou faça algo em seu favor, isso anula a graça de Deus e exalta a meritocracia. Não é por causa de uma oração, um sacrifício ou uma oferta que Deus abençoa o homem. Ele o faz por causa da sua graça, da sua misericórdia e do seu amor.  Em segundo lugar, esse jargão é herético uma vez que pressupõe uma posição estática em Deus. É praticamente como dizer que Deus está sentado, quase cochilando no trono, apenas esperando que alguém manifeste fé, para que ele aja em favor daquela pessoa. Oramos nunca para mover a mão de Deus, mas sempre para sermos por ela movidos. Deus não é relutante nem vagaroso em responder orações, muitas vezes Ele está apenas aperfeiçoando o nosso caráter.
“Tomar posse da benção”
Isso é um típico jargão da confissão positiva, parte da teologia da prosperidade. É uma interpretação totalmente equivocada do texto de Hebreus 11, onde os teólogos dessa teologia sustentam que a benção deve ser visualizada e em seguida deve-se tomar posse da benção, que já foi concedida e está incubada ou arquivada, esperando apenas a movimentação do crente. Uma enorme heresia que não tem base nenhuma no antigo e muito menos no novo testamento. Você não precisa “tomar posse da benção”, afinal, “a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus” (João 1:12). Ou seja, Ele é quem outorga poder.
“Buscar a face do Senhor”
Esta é uma expressão complicada e ao mesmo tempo muito utilizada. É praticamente impossível alguém que seja cristão evangélico a mais de dois meses e nunca a escutou. Lembro-me de, certa vez, ter perguntado a um amigo neopentecostal como se fazia para buscar a face de Deus. Ele me explicou de uma maneira muito simples: “eu me tranco no quarto, coloco um louvor pra tocar e fico ali orando por horas se preciso for”. No final tive vontade de perguntar a ele: “e assim você consegue achar?”. Sinceramente, a leitura dos evangelhos nos mostra que Jesus deixou uma lição muito bonita e singela, de que a melhor maneira de buscar a face de Deus é olhando para o próximo. Se não descobrirmos a face de Deus no rosto de nossos familiares, amigos, irmãos, patrões, moradores de rua e etc., jamais a encontraremos dentro de nós ou em outro lugar. Deus não existe fora do outro. (Gênesis 33:10 – 1 João 4:20)
“O melhor de Deus ainda está por vir” 
Eu não sei o quê esse povo ainda espera de melhor, sendo que Deus “não poupou a seu próprio Filho, antes o entregou por todos nós” (Romanos 8:32b). O melhor de Deus é Jesus Cristo e, portanto, o melhor de Deus já veio. Muitos declaram/cantam essas palavras pensando em bênçãos terrenas, materiais e um conforto que ainda está por vir da parte de Deus, quando, na realidade, Deus já “nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo” (Efésios 1:3). O melhor de Deus já veio, Cristo Jesus, e se buscarmos nele alegria e satisfação, viveremos também contentes em toda e qualquer situação.
“Entrar na presença de Deus”
Fico a pensar qual é o ser humano que não esteja na presença de Deus e que por isso seja necessário “adentrá-la”. Seria o ateu? O agnóstico?  O muçulmano? Ou o crente que está em pecado? O que define isso? De onde arrancaram essa ideia? Se de fato cremos que Deus é onipresente, é evidente que tudo e todos estão na presença Dele.
“Dar base legal para o inimigo agir”
“Cuidado, fazendo isso você vai estar dando base legal para o inimigo agir na sua vida!” Já perdi as contas de quantas vezes ouvi isso, exatamente assim, com todos os gerúndios que escrevi.  Confesso que durante um breve tempo da minha vida tomei todos os cuidados para que minhas ações fossem sempre extremamente e moralmente corretas, para de maneira nenhuma dar brecha para o diabo. Até que finalmente compreendi que o sangue de Cristo me purifica de todo o pecado e mais, que toda maldição que veio ou poderia vir sobre minha vida foi cravada na Cruz. A suficiência da cruz de Cristo é a simples verdade que pode modificar nosso modo de viver.
Com esses apontamentos, minha intenção não é ridicularizar ou menosprezar quem utiliza essas expressões. Na verdade, minha intenção é alertar para que de maneira nenhuma o nosso modo de seguir a Cristo se resuma a expressões vazias e sem sentido nenhum, mas sim que o dia a dia de discípulo se transfigure em espiritualidade voltada para o amor, a paz e a justiça do Reino de Deus. Insisto ao dizer que a vida cristã necessita ir além dos jargões e clichês que são produzidos e reproduzidos ao longo da história eclesiológica. Que vivamos todos os dias para honrar e glorificar o nome de Deus e para sinalizar o reino Dele de maneira efetiva no mundo!
Fonte:http://minhavidacrista.com/