sábado, 2 de fevereiro de 2013
A Revelação da Justiça de Deus
por
John Stott
Comentário Sobre Romanos 3:21-26
Todos os seres humanos, de todas as raças e classes sociais, de todos os credos e culturas, tanto judeus como gentios, imorais e moralistas, religiosos e ateus - todos, sem exceção, são pecadores, culpados, indesculpáveis e sem defesa diante de Deus! Eis o quadro terrível e desolador com que Paulo descreve a situação da raça humana em Romanos 1.18 - 3.20. Sem um raiozinho de luz, nenhuma fagulha de esperança, sem a mínima perspectiva de socorro.
"Mas agora" - Paulo interrompe de súbito - o próprio Deus interveio. "Agora" parece ser uma referência marcada por três dimensões: uma lógica (a elaboração do argumento), uma cronológica (o momento presente) e outra escatológica (chegou um novo tempo). [1] Depois da longa e escura noite, raiou o sol, amanhece um novo dia e o mundo é inundado de luz. "Mas agora se manifestou uma justiça que provém de Deus, independente da lei..." (21a). É uma revelação totalmente nova, centralizada em Cristo e Sua cruz, se bem que dela "testemunham a Lei e os Profetas" (21b) em previsões e prefigurações parciais. E assim Paulo contrasta a injustiça de uns e a auto-justificação de outros com a justiça de Deus. Em contraposição à ira de Deus sobre quem pratica o mal (1.18; 2.5; 3.5) ele anuncia a graça de Deus, que envolve os pecadores que crêem. Diante do julgamento, apresenta-nos a justificação.
Paulo começa retratando a revelação da justiça de Deus na cruz de Cristo e lançando os alicerces para o evangelho da justificação (3.21-26). Em seguida defende o seu evangelho contra as críticas dos judeus (3.27-31). E finalmente, ilustra-o através da vida de Abraão, que foi, ele mesmo, justificado pela fé, tornando-se assim o pai espiritual de todos os que crêem (4.1-25).
a. A justiça de Deus se revela na cruz de Cristo (3.21-26)
Os versículos 21-26 constituem um bloco firmemente compactado, que o professor Cranfield acertadamente chama de "o centro e o cerne" do todo que constitui a parte principal da carta; [2] já o Dr. Leon Morris diz que eles seriam "possivelmente o parágrafo mais importante que jamais se escreveu". [3] A sua expressão-chave é "a justiça de Deus", expressão já considerada por nós quando ela ocorreu a primeira vez, em 1.17. Aqui, em 3.21, a tradução da NVI refere-se a uma justiça que provém de Deus, frisando dessa maneira a iniciativa salvadora que ele tomou a fim de conceder aos pecadores a condição de justos aos seus olhos. Os dois versículos (1.17 e 3.21) dizem que essa justiça foi "revelada" ou "manifestada". Os dois a apresentam como algo inovador, ao dizerem que ela se dá a conhecer ou "no evangelho" (1.17) ou independente da lei (3.21). Ambos, no entanto, a representam como um cumprimento das escrituras do Antigo Testamento, o que demonstra que não se trata de uma elaboração posterior da parte de Deus. E dos dois afirma que podemos ter acesso a ela pela fé. A única diferença significativa entre estes dois textos está no tempo em que são usados os verbos principais. De acordo com 3.21, uma justiça de Deus se manifestou, no pretérito perfeito, uma provável referência à morte histórica de Cristo e suas conseqüências, válidas até hoje, enquanto que em 1.17 a justiça de Deus é revelada (tempo presente) no evangelho, o que deve significar toda vez que ele é pregado.
No versículo 22 Paulo volta a anunciar o evangelho, repetindo a expressão justiça de Deus, e agora acrescenta mais duas verdades a seu respeito. A primeira é que ela vem mediante a fé em Jesus Cristo para todos os que crêem. Além disso, ela é oferecida para todos porque todos têm necessidade dela. Não há distinção entre judeus e gentios nesse aspecto (conforme Paulo vem argumentando nos versículos 1.18 - 3.20) ou entre qualquer outro grupo humano, pois todos pecaram (hemarton - o passado cumulativo de todo mundo é resumido aqui pelo uso do tempo aoristo) e estão destituídos (um presente contínuo) da glória de Deus (230. Essa "glória" (doxa) de Deus poderia significar Sua aprovação ou louvor, que todos perderam; [4] o mais provável, porém, é que seja uma referência à imagem ou glória de Deus, segundo a qual todos nós fomos criados [5] as deixamos de viver de conformidade com ela. É claro que o pecado pode manifestar-se em diferentes níveis e dimensões; mas ainda assim ninguém chega sequer a aproximar-se dos padrões de Deus. Handley Moule expressa isso de maneira dramática: "A prostituta, o mentiroso e o assassino estão destituídos dela [da glória de Deus]; mas você também está. Pode ser que eles estejam no fundo de uma mina e você no cume da montanha; no entanto, tem tanta capacidade quanto eles de encostar nas estrelas". [6]
A segunda inovação contida nestes versículos é que agora, pela primeira vez, "uma justiça que provém de Deus" é identificada com a justificação: sendo justificados gratuitamente por sua graça...(24a). A justiça de (ou que provém de) Deus é uma combinação de três elementos: o caráter justo de Deus, a Sua iniciativa salvadora e a Sua dádiva, que consiste em conferir ao pecador a condição de justo perante Ele. Trata-se de Sua justificação justa do injusto, a maneira justa como Ele "justifica o injusto".
Justificação é um termo legal ou jurídico, extraído da linguagem forense. O contrário de justificação é condenação. Os dois são pronunciamentos de um juiz. Dentro do contexto cristão eles são os veredictos escatológicos alternativos que Deus, como juiz, poderá anunciar no dia do juízo. Portanto, quando Deus justifica os pecadores hoje, está antecipando o Seu próprio julgamento final, trazendo até o presente o que de fato faz parte dos "últimos dias".
Alguns estudiosos sustentam que "justificação" e "perdão" são sinônimos. Por exemplo, Sandlay e Headlam escreveram que justificação é "simplesmente Perdão, Perdão Gratuito"; [7] já o professor Jeremias, mais recentemente, insiste em dizer que "justificação é perdão, nada mais que perdão". [8] Mas isso com certeza não pode ser verdade. Perdão é algo negativo, é a absolvição de uma penalidade ou uma dívida; justificação tem conotação positiva - é declarar que alguém é justo, é dar ao pecador o direito de desfrutar novamente o favor e a comunhão de Deus. Marcus Loane escreveu: "A voz que anuncia perdão dirá: 'Pode ir. Você está livre da pena que o seu pecado merece.' Mas o veredicto que significa aceitação [sc. justificação] dirá: 'Pode vir. Você é bem-vindo para desfrutar todo o meu amor e a minha presença'". [9] C.H. Hodge esclarece com mais profundidade essa diferença ao elaborar a antítese entre condenação e justificação: "Condenar não é meramente punir, mas sim declara o acusado culpado ou digno de castigo; e justificação não é meramente liberar desse castigo, mas declarar que o castigo não pode ser aplicado com justiça...Perdão e justificação são, portanto, essencialmente distintos. O primeiro é a absolvição do castigo, o outro é uma declaração de que não existe nenhuma base para a aplicação do castigo".[10]
Se justificar não é o mesmo que perdoar ou desculpar, tampouco é o mesmo que santificar. Justificar é considerar ou declarar justa uma pessoa, e não torná-la justa. Este foi um ponto essencial no debate que se deu no século XVI com respeito à justificação. A posição católico-romana, conforme expressa no Concílio de Trento (1545-64), era que a justificação se dá no batismo e que a pessoa batizada, além de ser purificada dos seus pecados, recebe também, simultaneamente, uma justiça nova e sobrenatural. [11] Dá bem para entender o motivo que levou a tal insistência. Foi o medo de que, com uma mera declaração de justiça, a tal pessoa permanecesse em estado de injustiça e não-renovação, podendo até sentir-se encorajada a persistir no pecado (antinomismo). Foi exatamente a crítica que levantaram contra Paulo (6.1, 15) e que o levou a enfatizar com todas as forças que os cristãos batizados tinham morrido para o pecado (de tal forma que não podiam, em hipótese alguma, continuar vivendo nele) e que haviam ressuscitado para uma nova vida em Cristo. Ou, em outras palavras: a justificação (um novo status) e a regeneração (um novo coração), embora não sejam idênticas, são simultâneas. Todo crente justificado foi também regenerado pelo Espírito Santo e, dessa forma, destinado à santificação constante. Ou, se quisermos citar Calvino, "ninguém pode ostentar a justiça de Cristo sem a regeneração". [12] Ou então, "o apóstolo sustenta que quem pensa que Cristo nos confere justificação gratuita sem nos dar novidade de vida está, vergonhosamente, dividindo Cristo em pedaços". [13]
Uma reviravolta importante nesse debate entre católicos romanos e protestantes deve-se à publicação, em 1957, do diálogo do professor Hans Küng com Karl Barth. Nesse trabalho, intitulado Justificação, ele concorda que a justificação é uma declaração divina e que nós somos justificamos somente pela fé. Mas insiste também que as palavras de Deus são sempre eficazes, de maneira que tudo o que Ele pronuncia passa imediatamente a existir. Portanto, quando Deus diz a alguém: "Você é justo", diz ele, "o pecador é justo, de fato e de verdade, exterior e interiormente, integral e plenamente...Em resumo, a declaração de justiça de Deus é...ao mesmo tempo e no mesmo ato...tornar justo". [14] Desta maneira, a justificação é "o ato único que, simultaneamente, declara justo e torna justo". [15] Há aqui, no entanto, uma perigosa ambigüidade. O que Hans Küng quer dizer por "justo"? Se ele quer dizer legalmente justo, de contas acertadas com Deus, então de fato passamos imediatamente a ser aquilo que Deus declarou que sejamos. Mas se ele quer dizer moralmente justo, renovado, santo, então a declaração de Deus não assegura isso imediatamente, mas apenas inicia o processo contínuo e que dura a vida inteira.[16] Esse é o ponto que C. K. Barrett levanta quando alega que justificar não significa tornar justo, mas que " 'justo' significa, não 'virtuoso', mas 'correto', 'limpo', 'inocentado' na corte de Deus". [17]
Voltando agora ao texto de Romanos, e em particular nos versículos 24-26, Paulo ensina três verdades básicas sobre a justificação: primeiro, a sua fonte, de onde ela se origina; depois, a sua base, em que ela se sustenta; e, em terceiro lugar, o meio pelo qual ela é recebida.
a. A fonte de nossa justificação: Deus e a Sua graça.
Nós somos justificados gratuitamente por sua graça (24). Uma verdade fundamental no evangelho da salvação consiste em que a iniciativa da salvação deve-se, do início ao fim, a Deus o Pai. Qualquer formulação do evangelho que tire a iniciativa de Deus e a atribua a nós, ou mesmo a Cristo, já não é mais bíblica. Nós, com toda certeza, não tomamos a iniciativa, pois éramos pecadores, culpados e condenados, sem saída nem esperança. Tampouco foi Jesus Cristo quem tomou a iniciativa, no sentido de fazer algo que o Pai relutava ou não estava disposto a fazer. Não há dúvida de que Cristo veio por Sua própria vontade e se entregou gratuitamente. Mesmo assim, Ele o fez em submissão à iniciativa do Pai. "Aqui estou, no livro está escrito ao meu respeito; vim para fazer a tua vontade, ó Deus". [18] Quem deu o primeiro passo, portanto, foi Deus o Pai, e a nossa justificação nos veio gratuitamente (dorean, "como um presente") [19] por Sua graça, por Seu favor absolutamente gratuito e completamente imerecido. Graça é isso aí: Deus amando, Deus se humilhando em favor de nós, Deus vindo nos resgatar, Deus se entregando generosamente em Jesus Cristo e por intermédio dEle.
b. A base de nossa justificação: Cristo e sua cruz.
Se Deus justifica gratuitamente os pecadores por sua graça, por que ele faz isso? Baseado em quê? Como é que esse Deus justo pode declara justo o injusto, sem comprometer a Sua própria justiça nem condescender com a injustiça deste? Esta é a nossa pergunta. A resposta de Deus é a cruz.
Não existe em Romanos expressão mais surpreendente do que a afirmação de que "Deus...justifica o ímpio" (4.5). Embora ela só apareça no capítulo seguinte, no entanto será de grande ajuda aqui para ajudar-nos a acompanhar a argumentação de Paulo. Como é que Deus pode justificar o ímpio? No Antigo Testamento, repetidas vezes Deus diz aos juízes israelitas que eles devem justificar os íntegros e condenar os ímpios. [20] Mas é óbvio! Quem é inocente deve ser declarado inocente e quem é culpado deve ser considerado culpado! É um princípio elementar de pura justiça. Mas então Deus acrescenta: "O que justifica o perverso e o que condena o justo, abomináveis são para o Senhor tanto um como o outro". [21] Ele pronuncia também um solene "ai" contra os que "por suborno justificam o perverso, e ao justo negam a justiça". [22] Pois, como declara acerca de si mesmo, "não justificarei o ímpio". [23] Mas é claro! - dizemos de novo - Deus nem sonharia em fazer tal coisa!
Então, como é que Paulo tem coragem de afirmar que Deus faz aquilo que Ele proíbe os outros de fazerem? E que Ele faz o que disse que nunca faria - e que, ainda por cima, o faz habitualmente? E que Ele ainda diz ser "o Deus que justifica o perverso" ou (se é que poderíamos dizer assim) "que torna íntegro quem não tem integridade"? É um absurdo! Como pode o justo Deus agir injustamente, desbaratando assim a ordem moral e invertendo-a completamente? É inacreditável! Ou melhor: seria, não fosse a cruz de Cristo. Sem a cruz, a justificação do ímpio seria injusta, imoral e, dessa forma, impossível. A única razão pela qual Deus "justifica o ímpio" (4.5) é que "Cristo morreu pelos ímpios" (5.6). Só porque Ele derramou o Seu sangue (25) numa morte sacrificial por nós, pecadores, é que Deus pode justificar justamente o injusto.
Aquilo que Deus fez mediante a cruz, isto é, mediante a morte do seu Filho em nosso lugar, Paulo explica através de três expressões deveras significativas. Primeiro, diz que Deus nos justifica por meio da redenção que já em Cristo Jesus (24b). Segundo, Deus o apresentou como sacrifício para propiciação mediante a fé, pelo seu sangue (25a). Terceiro, Ele fez isto para demonstrar sua justiça...(25b), isso para demonstrar sua justiça no presente, a fim de ser justo e justificador daquele que tem fé em Jesus (26). As palavras-chave são redenção (apolytrõsis), propiciação (hilastêrion) e demonstração (endeixis). Todas as três se referem, não ao que acontece agora, enquanto o evangelho esta sendo pregado, mas ao que aconteceu de uma vez por todas em Cristo e através dele na cruz, sendo a expressão seu sangue uma clara referência à sua morte sacrificial. Associadas à cruz, portanto, vemos uma redenção dos pecadores, uma propiciação da ira de Deus e uma demonstração de sua justiça.
(i) Redenção
A primeira palavra é apolytrõsis, isto é, redenção. É um termo comercial emprestado dos mercados, da mesma forma que "justificação" é um termo legal emprestado dos tribunais. No Antigo Testamento ela era usada para escravos que eram comprados para serem libertados; dizia-se que eles haviam sido "remidos". [24] O termo também era usado metaforicamente com referência ao povo de Israel, que foi "remido" do cativeiro, primeiro no Egito,[25] depois na Babilônia, [26] e em seguida restaurado à sua própria terra. Nós, de igual maneira, éramos escravos ou cativos, presas do nosso pecado e da culpa e completamente incapazes de liberta-nos. Mas Jesus Cristo nos "redimiu", nos comprou e libertou-nos do cativeiro, derramando, como preço, pelo resgate, o seu próprio sangue. Ele mesmo dissera que o propósito de sua vinda era para "dar a sua vida em resgate por muitos". [27] E agora, em conseqüência de sua aquisição ou "salvamento por resgate", [28] nós pertencemos a ele.
(ii) Propiciação
A segunda palavra é hilastêrion, ou seja, propiciação. Muitos cristãos sentem-se envergonhados ou até chocados com esta palavra, porque propiciação significa o ato de aplacar a ira divina, ou de tornar Deus propício. E, em se tratando de Deus, parece-lhes indigno dar-lhe um conceito como este (mais pagão do que cristão), o que pressupõe que ele fica com raiva e precisa ser apaziguado. Daí a proposta de duas outras maneiras possíveis de se entender hilastêrion. A primeira é traduzir a palavra como "propiciatório", referindo-se à tampa de ouro da arca da aliança que ficava no Santo dos Santos, no templo. É geralmente este o significado da palavra na Septuaginta, e é também o que ela significa na sua única outra ocorrência no Novo Testamento. [29] Já que, no Dia da Expiação, o sangue do sacrifício era salpicado sobre a tampa da arca, o chamado "propiciatório", sugere-se então que o próprio Jesus seria o "propiciatório" onde Deus e os pecadores são reconciliados. [30] Aqueles que sustentam este ponto de vista tendem a entender o verbo protithêmi (apresentou) como "expôs" (BJ) ou "dispôs publicamente" (BAGD), para indicar que, embora o propiciatório estivesse escondido dos olhos humanos pelo véu, "Deus expôs publicamente o Senhor Jesus Cristo, aos olhos do universo inteligente...", [31], como o caminho da salvação. Tanto Lutero quanto Calvino? acreditavam que "propiciatório" seria a tradução correta, e outros seguiram seu exemplo.
Mas os argumentos contrários parecem ser conclusivos. Em primeiro lugar, se com hilastêrion Paulo quisesse referir-se à tampa da arca ou "propiciatório", teria inevitavelmente usado com ela o artigo definido. E, depois, o conceito é incongruente em Romanos, pois esta carta, ao contrário de Hebreus, não se encontra na "esfera do simbolismo levítico". [32] Em terceiro lugar, a metáfora seria confusa e até mesmo contraditória, já que ela representaria Jesus com sendo concomitantemente a vítima cujo sangue foi derramado e aspergido, e o lugar onde se aplicaria este sangue. Em quarto lugar, o sentimento de dívida de Paulo para com o Cristo crucificado era tão profundo que ele dificilmente o teria comparado a uma "peça inanimada da mobília do templo".[33]
Uma segunda possibilidade de tradução para hilastêrion é "uma expiação", (RSV), o argumento para tal é que, enquanto que no grego secular o verbo hilaskomai significa "aplacar" (um deus ou um ser humano), na Septuaginta o objeto deste verbo não é Deus, mas o pecado. Portanto, o seu significado não seria "propiciar" Deus (isto é, torná-lo propício, desviar sua ira) mas sim "expiar" o pecado, isto é, anular o pecado ou acabar com a profanação. C. H. Dodd, a quem geralmente se associa esta posição e que, como editor e tradutor da Bíblia, evidentemente influenciou outros tradutores nesta direção, escreveu que os atos expiatórios "tinham como que o valor, digamos, de um desinfetante". [34] Assim, a versão da BLH diz que "Deus ofereceu Cristo como sacrifício para que, pela sua morte na cruz, Cristo se tornasse o meio de as pessoas receberem o perdão dos pecados".
A principal razão pela qual estas opções não são satisfatórias e pela qual é necessária uma referência a propiciação e o contexto. Nestes versículos Paulo descreve a solução de Deus para a condição humana; o problema não é só o pecado, mas também a ira de Deus sobre o pecado (1.18; 2.5; 3.5). E onde quer que exista a ira de Deus existe também a necessidade de impedir que ela se manifeste. Não deveríamos ter medo de usar a palavra "propiciação" em relação à cruz, tanto quanto deveríamos deixar de usar a palavra "ira" em relação a Deus. Em vez disto, deveríamos lutar para resgatar o uso desta linguagem mostrando que a doutrina cristã da propiciação é completamente diferente dos conceitos supersticiosos pagãos ou animistas. Tanto a necessidade como o autor e a natureza da propiciação cristã são bem diferentes.
Vamos primeiro à necessidade. Por que uma propiciação seria necessária? Resposta pagã é: porque os deuses são caprichosos, mal-humorados e sujeitos a acessos de ira. A resposta cristã é: porque a ira santa de Deus está voltada contra o mal. Quando se trata da ira de Deus, não tem esta história de falta de princípios, imprevisibilidade ou perda de controle; a única coisa que a provoca é o mal.
Agora vamos ao autor. Quem é o responsável pela propiciação? A resposta pagã é que somos nós. Nós ofendemos os deuses; portanto devemos agradá-los. Já a reposta cristã é que nós não podemos aplacar a justa indignação de Deus. Não há como fazê-lo por nossos próprios meios. Mas Deus, por amar-nos sem que o merecêssemos, fez por nós o que nunca poderíamos fazer sozinhos. João escreveu semelhantemente: "... Deus... nos amou e enviou o seu Filho como propiciação (hilasmos) por nossos pecados". [35] O amor, a idéia, o propósito, a iniciativa, a ação e a dádiva foram todos de Deus.
E, finalmente, a natureza. Como se conseguiu a propiciação? Em que reside o sacrifício da propiciação? A resposta pagã é que é preciso subornar os deuses com doses e oferendas, vegetais, animais e até sacrifícios humanos. O sistema sacrifical do Antigo Testamento era completamente diferente, já que todos sabiam que o próprio Deus havia "dado" os sacrifícios para o seu povo fazer a expiação. [36] E isso está inegavelmente claro na propiciação cristã, pois Deus deu seu próprio Filho para morrer em nosso lugar, e, ao dar seu Filho, deu-se ele mesmo por nós (5.8; 8.32).
Em suma, seria difícil exagerar no que diz respeito às diferenças entre a visão cristã e a pagã de propiciação. Na perspectiva pagã, os seres humanos tentam, através de suas ofertas desprezíveis, aplacar o mau humor de suas divindades enfurecidas. De acordo com a revelação cristã, o próprio amor incomparável de Deus aplacou a sua própria ira santa ao dar seu próprio Filho amado, que tomou o nosso lugar, assumiu os nossos pecados e morreu a nossa morte. Assim fazendo, Deus mesmo entregou a si mesmo para salvar-nos dele mesmo.
Este é o justo fundamento em que se baseia a justa justiça de Deus para justificar os injustos sem comprometer a sua justiça. Charles Cranfield expressou isso com cautela e eloqüência:
Deus, porque em sua misericórdia desejava perdoar os homens pecadores, e por ser verdadeiramente misericordioso, desejoso de perdoá-los – isto é, sem de maneira alguma desconsiderar o seu pecado – propôs-se voltar contra si mesmo, na pessoa do seu Filho, todo o peso daquela justa ira que eles mereciam. [37]
O professor Cranfield volta a este assunto no seu ensaio final sobre "A Morte e Ressurreição de Jesus Cristo". Conforme o seu argumento, o propósito de Deus ao fazer da morte de Jesus Cristo um sacrifício de propiciação foi para "que ele pudesse justificar os pecados justamente, isto é, de uma maneira tal que fosse inteiramente digna do seu caráter de Deus verdadeiramente amoroso e eterno". Pois, caso ele se limitasse a meramente perdoar os pecados deles, estaria com isso "comprometido com a mentira de que a maldade moral não importa e, dessa forma, estaria violando sua própria verdade e zombando dos homens, proporcionando-lhes uma certeza vazia e mentirosa que eles, na sua total humanidade, acabariam descobrindo ser uma miserável fraude". [38]
(iii) Demonstração
Até aqui nós vimos duas das palavras usadas por Paulo para descrever a cruz; são elas apolytrõsis ("redenção") e hilastêrion ("sacrifício de propiciação"). Vamos agora à terceira palavra, que é endeixis ("demonstração"). Afinal, a cruz foi uma demonstração ou revelação pública assim como uma conquista. Além de concretizar a propiciação de Deus e a redenção dos pecadores, ela também vindicou a justiça de Deus: Ele fez isso para demonstrar a sua justiça... (25b); ...isso para demonstrar sua justiça... (26a). Para podermos entender a forma que tomou esta demonstração da justiça de Deus, precisamos perceber o contraste deliberado que Paulo estabelece entre os pecados anteriormente cometidos, os quais em sua tolerância, havia deixado impunes (25b), e, o tempo presente, no qual Deus agiu a fim de ser justo e justificador (26a). É um contraste entre o passado e o presente, entre a tolerância divina que adiou o julgamento e a justiça divina que o exigia, entre "deixar impunes os pecados anteriores cometidos" (o que faria Deus parecer injusto) e a punição deles na cruz (pela qual Deus demonstrou a sua justiça).
Isto é, Deus deixou impunes os pecados de gerações passadas, permitindo que as nações seguissem seus próprios caminhos e não levando em consideração a sua ignorância [39], não porque houvesse qualquer injustiça de sua parte, ou por uma atitude de conivência com o mal, mas sim em virtude de sua paciência (BLH), e só porque tinha a firme intenção de, na plenitude dos tempos, dar a estes pecados o devido castigo por meio da morte do seu próprio Filho. Essa era a única maneira pela qual ele podia, ao mesmo tempo, ser justo, demonstrar a sua justiça e ser justificador daquele que tem fé em Jesus (26b). Tanto a justiça (o atributo divino) como a justificação (atividade divina) seriam impossíveis sem a cruz.
Aqui, portanto, estão os três termos técnicos que Paulo utiliza (apolytrõsis, hilastêrion e endeixis) para explicar o que Deus fez na cruz de Cristo e por meio dela: ele redimiu seu povo, aplacou a sua ira e demonstrou a sua justificação. De fato, estas três conquistas fazem parte de um todo. Através da morte expiatória e substitutiva do seu Filho, Deus aplacou a sua própria ira, de forma a redimir-nos e justificar-nos e, ao mesmo tempo, demonstrar sua justiça. Só nos resta maravilhar-nos diante da sabedoria, santidade, amor e misericórdia e Deus e prostrar-nos diante dele em humilde adoração. A cruz deveria ser o bastante para quebrantar o mais duro e derreter o mais insensível dos corações.
Agora, que vimos que a origem de nossa justificação é a graça de Deus e que ela se baseia na cruz de Cristo, vamos considerar o meio pelo qual somos justificados.
c. O meio de justificação: a fé.
Por três vezes neste parágrafo Paulo ressalta a necessidade da fé: mediante a fé em Jesus Cristo para os que crêem (22); mediante a fé pelo seu sangue (25) (ou, mais provavelmente, "pelo seu sangue a ser recebido pela fé"); e Deus é justificador daquele que tem fé em Jesus (26). De fato, a justificação é "pela fé somente", sola fide, um dos grandes slogans da Reforma. É verdade que no texto de Paulo a palavra somente não ocorre no versículo 28, onde Lutero o adicionou. Não é de todo surpreendente, portanto, o fato de a Igreja Católica Romana ter acusado Lutero de perverter os textos da Sagrada Escritura. Mas Lutero estava seguindo Orígenes, bem como outros Pais da Igreja, que haviam semelhantemente introduzido a palavra "somente". O que os levou a fazer isso foi um verdadeiro instinto. Longe de falsificar ou distorcer o que Paulo queria dizer; eles o estavam aclarando e enfatizando. O mesmo se passou com John Wesley, que escreveu que "confiava em Cristo, somente em Cristo, para a salvação". A justificação é somente pela fé, somente em Cristo, somente através da fé.
Além do mais, é de vital importância afirmar que nada existe de mérito na fé, e que quando dizemos que a salvação é "por fé, e não por obras", não estamos colocando um tipo de mérito ("fé") em lugar do outro ("obras"). Assim como a salvação não é nenhum empreendimento cooperativo entre Deus e nós, no qual ele entra com a cruz e nós contribuímos com a fé. Não, a graça não admite contribuições; e a fé é o contrário da auto-estima. O valor da fé não reside nela mesma, mas inteira e exclusivamente em seu objeto, a saber, Jesus Cristo, e este crucificado. Dizer que a "justificação é somente pela fé" é outra maneira de dizer que " justificação é somente por Cristo." A fé é o olho que o contempla, a mão que o recebe a sua dádiva gratuita, a boca que bebe da água vida. "A fé...abrange nada mais do que a jóia preciosa que é Jesus Cristo". [40] Como escreveu Richard Hooker, teólogo anglicano do século XVI: "Deus justifica o que crê - não por causa do valor de sua crença, mas por causa do valor daquele (sc. de Cristo) em quem ele creu". [41]
A justificação (cuja fonte é Deus e Sua graça, cuja base é Cristo e a cruz e cujo meio é somente a fé, completamente à parte das obras) constitui o cerne do evangelho e é uma característica singular do cristianismo. Nenhum outro sistema, ideologia ou religião proclama um perdão gratuito e uma nova vida para aqueles que nada fizeram para merecê-los, mas que, ao invés disso, muito fizeram para merecer o julgamento. Pelo contrário, todos os sistemas ensinam alguma forma de auto-salvação através das boas obras da religião, da piedade ou da filantropia. Já o cristianismo, em sua essência, nem mesmo é uma religião; é um evangelho, o evangelho, a boa nova de que a graça de Deus desviou a sua ira, que o Filho de Deus morreu a nossa morte e carregou a nossa condenação, que Deus tem misericórdia de quem não merece e que a nós nada mais resta a fazer ou mesmo contribuir. A única função da fé é receber o que a graça oferece.
A antítese entre graça e lei, misericórdia e mérito, fé e obras, salvação de Deus e salvação própria, é absoluta. Nós temos de escolher. Emil Brunner ilustrou vividamente essa antítese, em que, segundo ele, a diferença é entre "subir" e "descer": a questão decisiva" mesmo, ele escreveu, é "a direção do movimento". Os sistemas não-cristãos imaginam "o homem movendo-se" em direção a Deus. Lutero disse que meditar é "elevar-se à majestade nas alturas". De semelhante forma, o misticismo acredita que o espírito humano pode "flutuar nas alturas em direção a Deus". O mesmo se passa com o moralismo. E também com a filosofia. O "otimismo auto-confiante de todas as religiões não-cristãs" é muito parecido. Nenhum deles vê ou sente o abismo que se estende entre o santo Deus e os seres humanos, pecadores e cheios de culpa. Só quando vislumbramos isso é que percebemos a necessidade aquilo que o evangelho proclama, que é o "mover-se de Deus", a Sua livre iniciativa de graça, o Seu movimento "descendente", o Seu surpreendente "ato de condescendência". Parar na beira do abismo, atingir o ápice do desespero por jamais conseguir atravessar - esta é a indispensável "antecâmara da fé". [42]
NOTAS:
[1] 2 Co 6.2.
[2] Cranfield, vol. I, p. 199.
[3] Morris (1998), p. 173.
[4] Cf. Jo 12.43.
[5] Cf. 1 Co 11.7.
[6] Moule (1894), p. 97.
[7] Sandlay e Headlam, p. 36.
[8] Jeremias, p. 66.
[9] Marcus Loane, This Surpassing Excellence: Textual Studies in the Epitles to the Churches of Galatia and Philippi (Angus e Robertson, 1969), p. 94.
[10] Hodge, p. 82.
[11] Ver o Concílio de Trento, Sessão VI, e os seus decretos sobre o pecado original e a justificação.
[12] Calvino, 9. 8.
[13] Ibid, p. 121.
[14] Küng, p. 204.
[15] Ibid, p. 210.
[16] Ver o que escrevo a respeito de "justificação" no livro A Cruz de Cristo (Editora Vida, 1991).
[17] Barrett, pp. 75s.
[18] Heb 10.7.
[19] Moule (1894), p. 92.
[20] Deut 25.1.
[21] Pv 17.15.
[22] Is 5.23.
[23] Êx 23.7.
[24]P. ex. Lv 25.47ss.
[25]Êx 6.6
[26] Is 43.1.
[27] Mc 10.45.
[28] Moule (1894), p.92.
[29] Hb 9.5.
[30]Cf. Ex 25.22.
[31] Hodge, p.93.
[32] Godet, p.151.
[33] Cranfield, vol.I, p.215. Nygren usa uma expressão semelhante na p. 156.
[34] Dodd, p.54.
[35] 1 Jo 4.10.
[36] P. ex. Lv 17.11.
[37] Cranfield, vol. I, p. 217; cf. vol II, p. 828.
[38] Cranfield, vol. II, p. 827.
[39] At 14.16; 17.30.
[40] Lutero, Commentary on St Paul's Epistle to the Galatians (1531; James Clarke, 1953), p. 100.
[41] De "Definition of Justificantion" de Hooker, constituíndo o capítulo xxxiii de sua obra Ecclesiastical Polity (1593).
[42] Emil Brunner, The Mediator (1927; Westminster; 1947), pp. 291ss.
Fonte: STOTT, John. A Mensagem de Romanos. Trad. Silêda e Marcos D S Steuernagel. 1ed. São Paulo: ABU Ed., 2000. 528p.; pp. 122-135.
terça-feira, 29 de janeiro de 2013
A Igreja de Laodicéia - Uma convocação ao fervor espiritual
Rev .Hernandes Dias Lopes
APOCALIPSE 3:14-22
TEMA: UMA CONVOCAÇÃO URGENTE AO FERVOR ESPIRITUAL
INTRODUÇÃO
1. De todas as cartas às igrejas da Ásia, esta é a mais severa. Jesus não faz nenhum elogio à igreja de Laodicéia.
2. A única coisa boa em Laodicéia era a opinião da igreja sobre si mesma e, ainda assim, completamente falsa.
3. A cidade de Laodicéia foi fundada em 250 a.C, por Antíoco da Síria. A cidade era importante pela sua localização. Ficava no meio das grandes rotas comerciais. Era uma cidade rica e opulenta.
4. A igreja tinha a cara da cidade. Em vez de transformar a cidade, ela tinha se conformado à cidade. Laodicéia era a cidade da transigência e a igreja tornou-se também uma igreja transigente. Os crentes eram frouxos, sem entusiasmo, débeis de caráter, sempre prontos a comprometerem-se com o mundo, descuidados. Eles pensavam que todos eles eram pessoas boas. Eles estavam satisfeitos com sua vida
espiritual.
5. A igreja de Laodicéia é a igreja popular, satisfeita com a sua prosperidade, orgulhosa de seus membros ricos. A religião deles era apenas uma simulação.
6. A cidade de Laodicéia destacava-se por quatro características:
1) Centro bancário e financeiro - Era uma das cidades mais ricas do mundo. Lugar de muitos milionários. Em 61 d.C, foi devastada por um terremoto e reconstruída sem aceitar ajuda do imperador. Os habitantes eram jactanciosos de sua riqueza. A cidade era tão rica que não sentia necessidade de Deus.
2) Centro de indústria de tecidos - Em Laodicéia produzia-se uma lã especial famosa no mundo inteiro. A cidade estava orgulhosa da roupa que produzia.
3) Centro médico de importância - Ali havia uma escola de medicina famosíssima. Fabricava-se ali dois ungüentos quase milagrosos para os ouvidos e os olhos. 0 pó frígio para fabricar o colírio era o remédio mais importante produzido na cidade.
4) Centro das águas térmicas - A região era formada por três cidades: Colossos, Hierápolis e Laodicéia. Em Colossos ficavam as fontes de águas frias e em Hierápolis havia fonte de água quente, que em seu curso sobre o planalto tornava-se morna, e nesta condição fluía dos rochedos fronteiros a Laodicéia. Tanto as águas quentes de Hierápolis, como as águas frias de Colossos eram terapêuticas, mas as águas mornas
de Laodicéia eram intragáveis.
I. O DIAGNÓSTICO QUE CRISTO FAZ DA IGREJA
• O Cristo que está no meio dos candeeiros e anda no meio dos candeeiros, sonda a igreja de Laodicéia e chega ao seguinte diagnóstico: A igreja tinha perdido seu vigor (v. 16-17), seus valores (v. 17-18), sua visão (v. 18b) e. suas vestimentas (v. 17-22).
Vejamos o diagnóstico de Cristo.
1. Jesus identificou a falta de fervor espiritual da igreja - v. 15
• Na vida cristã há três temperaturas espirituais: 1) Um coração ardente (Luc 24:32); 2) Um coração frio (Mt 24:12), e 3) Um coração morno (Ap 3:16). Jesus e Satanás conhecem a maré espiritual baixa da igreja. Nada se informa sobre tentação, perseguição, negação, apostasia ou abalos nessa igreja.
• O problema da igreja de Laodicéia não era teológico nem moral. Não havia falsos mestres, nem heresias. Não havia pecado de imoralidade nem engano. Não há na carta menção de hereges, malfeitores ou perseguidores. O que faltava à igreja era fervor espiritual.
• A vida espiritual da igreja era morna, indefinível, apática, indiferente e nauseante. A igreja era acomodada. O problema da igreja não era heresia, mas apatia.
• Nosso fogo espiritual íntimo está em constante perigo de enfraquecer ou morrer. O braseiro deve ser cutucado, alimentado e soprado até incendiar.
• Muitos fogem do fervor com medo do fanatismo. Mas fervor não é o mesmo que fanatismo. Fanatismo é um fervor irracional e estúpido. É um entrechoque do coração com a mente. Jonathan Édwards disse que precisamos ter luz na mente e fogo no coração. A verdade de Deus é lógica em fogo.
• Muitos crentes têm medo do entusiasmo. Mas entusiasmo é parte essencial do Cristianismo. Não podemos ter medo das emocões, mas do emocionalismo.
2. Jesus identificou que um crente morno é pior do que um incrédulo frio - v. 15
• É melhor ser frígido do que tépido ou momo. E mais honroso ser um ateu declarado do que ser um membro incrédulo de uma igreja evangélica. A queixa de Jesus contra os fariseus era contra a hipocrisia deles. Alguém que nunca fez profissão de fé e tem a consciência de sua completa falta de vida moral é muito mais fácil de ser ajudado que algum outro que se julga cristão, mas não tem verdadeira vida espiritual.
• Uma pessoa morna é aquela em que há um contraste entre o que diz e o que pensa ser, de um lado, e o que ela realmente é, de outro. Ser morno é ser cego à sua verdadeira condição. Jesus identificou que a autoconfiança da igreja era absolutamente falsa - v. 17
a) A tragédia do auto-engano (v. 17) - Laodicéia se considerava rica e era pobre. Sardes se considerava viva e estava morta. Esmirna se considerava pobre, mas era rica. Filadélfia tinha pouca força, mas Jesus colocara diante dela uma porta aberta. O fariseu deu graças por não ser como os demais homens. Muitos no dia do juízo vão estar enganados (Mt 7:21-23). A igreja era morna devido à ilusão que alimentava a
respeito de si mesma.
b) A tragédia da auto-satisfação (v. 17) - A igreja disse: "Não preciso de coisa alguma". A igreja de Laodicéia era morna em seu amor a Cristo, mas amava o dinheiro. O amor ao dinheiro traz uma falsa segurança e uma falsa auto-satisfação. A igreja não tinha consciência de sua condição. A lenda de Narciso.
c) A tragédia de não ser o que se projetou ser e ser o que nunca se imaginou ser (v. 17c) - Estava orgulhosa do seu ouro, roupas e colírio. Mas era pobre, nua e cega.
• A congregação de Laodicéia fervilhava de freqüentadores presunçosos. Eles diziam: Estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma. Os crentes eram ricos. Freqüentavam as altas rodas da sociedade. Eram influentes na cidade. A cidade era um poderoso centro médico, bancário e comercial.
• O orgulho de Laodicéia era contagioso. Os cristãos contraíram a epidemia. O espírito de complacência insinuou-se na igreja e corrompeu-a. Os membros da igreja tornaramse convencidos e vaidosos.
• Eles achavam que estavam indo maravilhosamente bem em sua vida religiosa. Mas Cristo teve de acusá-los de cegos e mendigos nus. Mendigos apesar de seus bancos, cegos apesar de seus pós frígios e nus apesar de suas fábricas de tecidos.
• São mendigos porque não têm como comprar o perdão de seus pecados. São nus porque não tem roupas adequadas para se apresentarem diante de Deus. São cegos porque não conseguem enxergar a sua pobreza espiritual.
3. Jesus revelou que um crente morno em vez de ser o seu prazer, lhe provoca náuseas - v.16
• Você só vomita, o que ingeriu. Só joga fora o que está dentro. A igreja de Laodicéia era de Cristo, mas em vez de dar alegria a Cristo estava provocando náuseas nele. Uma religião morna provoca náuseas. Jesus tinha muito mais esperança nos publicanos e pecadores do que orgulhosos fariseus.
• Fomos salvos para nos deleitarmos em Deus e sermos a delícia de Deus. Somos filhos de Deus, herdeiros de Deus, a herança de Deus, a menina dos olhos de Deus, a delícia de Deus. Mas, quando perdemos nossa paixão, nosso fervor, nosso entusiasmo, provocamos dor em nosso Senhor, náuseas no nosso Salvador.
• Cristo repudiará totalmente aqueles cuja ligação com ele é puramente nominal e superficial. A igreja de Laodicéia desapareceu. Da cidade só restam ruínas. A igreja perdeu o tempo da sua oportunidade.
II. O APELO QUE CRISTO FAZ À IGREJA
1. Cristo se apresenta à igreja como um mercador espiritual - v. 18
• Cristo prefere dar conselhos em vez de ordens - Sendo soberano do céu e da terra, criador do universo, tendo incontáveis galáxias de estrelas na ponta dos dedos, tendo o direito de emitir ordens para que lhe obedeçamos, prefere dar conselhos. Ele poderia ordenar, mas prefere aconselhar.
• A suficiência está em Cristo - A igreja julgava-se auto-suficiente, mas os crentes deveriam encontrar sua suficiência em Cristo. "Aconselho-te que compres DE MIM...”.
• Cristo se apresenta como mascate espiritual - Cristo se apresenta à igreja como um mercador, um mascate e um camelô espiritual. Seus produtos são essenciais. Seu preço é de graça. Há notícias gloriosas para os mendigos cegos e nus. Eles são pobres, mas Cristo tem ouro. Eles estão nus, mas Cristo tem roupas. Eles são cegos, mas Cristo tem colírio para os seus olhos. Cristo exorta a igreja a adquirir ouro para sua pobreza, vestimentas brancas para sua nudez e colírio para sua cegueira.
• A preciosa mercadoria que Cristo oferece - O ouro que Cristo tem é o Reino do céu. A roupa que Cristo oferece são as vestes da justiça e da santidade. O colírio que Cristo tem abre os olhos para o discernimento.
• Cristo está conclamando os crentes a não confiarem em seus bancos, em suas fábricas e em sua medicina. Ele os chama à ele mesmo. Só Cristo pode enriquecer nossa pobreza, vestir nossa nudez e curar a nossa cegueira.
2. Cristo chama a igreja a uma mudança de vida - v. 19
• Vemos aqui uma explanação e uma exortação: "Eu disciplino e repreendo a quantos amo. Sê, pois, zeloso e arrepende-te".
• Desgosto e amor andam juntos. Cristo não desiste da igreja. Apesar da sua condição, ele a ama. Antes de revelar o seu juízo (vomitar da sua boca) ele demonstra a sua misericórdia (repreendo e disciplino aqueles que amo).
• Disciplina como ato de amor - A pedra precisa ser lapidada para brilhar. A uva precisa ser prensada para produzir vinho. Inegavelmente é porque anseia salvá-los do juízo final é que os repreende e disciplina.
• A base da disciplina é o amor. Porque ele ama, disciplina. Porque ama chama ao arrependimento. Porque ama nos dá oportunidade de recomeçar. Porque ama está disposto a perdoar-nos.
• Arrepender-se é dar as costas a esse cristianismo de aparências, de faz de conta, de mornidão. A piedade superficial nunca salvou ninguém. Não haverá hipócritas no céu. Devemos vomitar essas coisas da nossa boca, do contrário, ele nos vomitará. Devemos trocar os anos de mornidão pelos anos de zelo.
3. Cristo convida a igreja para a ceia, uma profunda comunhão com ele - v. 20
• Triste situação - Cristo, o Senhor da igreja, está do lado de fora. A igreja não tem comunhão com ele. Ilustração: o homem que não conseguia ser membro da igreja.
• Este é um convite pessoal - A salvação é uma questão totalmente pessoal. Enquanto muitos batiam a porta no rosto de Jesus, outros são convidados por ele. Cristo vem visitar-nos. Coloca-se em frente da porta do nosso coração. Ele bate. Ele deseja entrar. E uma visita do Amado da nossa alma.
• Uma decisão pessoal - "Estou à porta e bato, se alguém abrir a porta entrarei...". Jesus bate através de circunstâncias e chama através da sua Palavra. Embora Cristo tenham todas as chaves, ele prefere bater à porta. A PORTA - a famosa pintura de Holman Hunt, Cristo batendo à porta, mas a porta não tinha maçaneta do lado de fora.
Ilustração: O Pai e o Filho. O menino diz para o pai: eles não ouvem porque estão ocupados com outras coisas no quartinho dos fundos. Aqui vemos uma amostra sublime da soberania de Cristo e da responsabilidade humana.
• A insistência de Jesus - "Estou à porta e bato”. De que maneira ele bate? Através das Escrituras, sermão, hino, acidente, doença. É preciso ouvir a voz de Jesus.
• Um convite para cear - Que ele nos convide a vir e cear com ele é demasiada honra; mas que ele deseje participar da nossa humilde mesa e cear conosco é tão admirável que ultrapassa nossa compreensão finita. O hóspede transforma-se em anfitrião. Não somos dignos que ele fique embaixo do nosso teto e ele ainda vai sentar-se à nossa mesa? Somos convidados para o banquete do casamento do Cordeiro.
III. A PROMESSA QUE CRISTO FAZ À IGREJA - V. 14,21,22
1. Jesus tem competência para fazer a promessa - v. 14
• Cristo é o Amém e a Testemunha Fiel e Verdadeira - Para uma igreja marcada pelo ceticismo, incredulidade, tolerância Jesus se apresenta como o Amém. Ele é a verdade, e fala a verdade e dá testemunho da verdade.
• Seu diagnóstico da igreja é verdadeiro. Seu apelo à igreja deve ser levado a sério. Suas promessas à igreja são confiáveis. Em face da vida morna e indiferente da igreja, Jesus é a verdade absoluta que tudo vê, tudo sonda, tudo conhece.
• Ele cumpre o que diz. Ele nunca é inconstante. É absolutamente consistente. Para uma igreja morna, inconstante, Cristo se apresenta como aquele é preciso e confiável. Jesus não apenas jura, ele é o próprio juramento. Entre ele e sua palavra simplesmente não se pode meter nenhum cunha.
2. Jesus tem autoridade para tornar a promessa realidade - v. 14
• Cristo é o princípio da criação de Deus - Em face da vida caótica da igreja, Jesus é aquele que é a origem da criação. Como ele deu ordem aos caos do universo, ele pode arrancar a igreja do caos espiritual.
3. Jesus tem poder para conduzir os vencedores ao seu trono de glória - v. 21.22
• Quando Cristo entra em nossa casa recebemos a riqueza do Reino. Recebemos vestes brancas de justiça. Nossos olhos são abertos. Temos a alegria da comunhão com o Filho de Deus. Mas temos, também, a promessa que excede em glória a todas as outras promessas ao vencedor. Reinaremos com .ele.. Assentaremos em tronos com Ele. Um Trono é símbolo de conquista e autoridade.
• A comunhão da mesa secreta é transformada em comunhão de trono pública.
• Como Cristo participa do trono do Pai, também participaremos do trono de Cristo. Quando abrimos a porta para Cristo entrar em nossa casa, recebemos a promessa de entrar na Casa do Pai. Quando recebemos Cristo à nossa mesa, recebemos a promessa de sentarmos com ele em seu trono.
CONCLUSÃO
• Mas a história não termina aqui. Com o capítulo 4 de Apocalipse passamos da Igreja sobre a terra à igreja no céu. Os olhos de João são arrancados dos companheiros em tribulação para o trono do universo. Diante desse trono estão querubins, os anjos e a igreja glorificada. O livro da história está nas mãos do Cordeiro e nenhuma calamidade pode sobrevir à humanidade enquanto Cristo não quebrar os selos. Além disso, os
ventos do juízo não recebem permissão para soprar sobre aqueles que foram selados pelo Espírito Santo. A segurança da igreja está garantida
• Assim, depois de combatermos aqui o bom combate e completarmos a nossa carreira, emergiremos da grande tribulação e não mais sofreremos. Iremos nos juntar à Igreja triunfante, na grande multidão que ninguém poderá contar, vinda de toda nação, tribo, povo e língua e ali estaremos com eles perante o trono de Deus. Ali nossas lágrimas serão enxugadas, depositaremos nossas coroas diante do trono e adoraremos Aquele que é digno, para sempre.
• Possa o Senhor nos ajudar a ouvir o que o Espírito diz às igrejas!
sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
A GRANDE MENTIRA DE QUE A IGREJA ESTÁ PROGREDINDO
Por: Cristiano Santana
INTRODUÇÃO: É corriqueiro ouvirmos, atualmente, pastores exaltando as igrejas evangélicas por seu admirável progresso. Em pouco menos de um século, o pentecostalismo brasileiro, que começou com pequenos e tímidos agrupamentos, transformou-se em uma força poderosíssima, composta de megaministérios que são verdadeiras empresas, movimentam milhões de reais, elegem deputados e senadores, possuem canais de rádio e tv, são capazes de construir megatemplos em pouquíssimo tempo, etc.
Diante dessa realidade, postula-se que o protestantismo brasileiro atual é o resultado de um desenvolvimento progressivo, o clímax de um processo evolutivo, levado a efeito por Deus.
Declara-se que a Igreja de hoje é melhor do que a de ontem, que muitas conquistas foram alcançadas. Os crentes, por exemplo, não vivem mais debaixo de regras rígidas como aquelas aplicadas no incipiente movimento pentecostal; normas que incluíam exclusão até por ouvir rádio. Dizem que que as denominações evangélicas estão mais sintonizadas com os dispositivos da Constituição e do Novo Código Civil, algo que confere mais direitos aos crentes (pelo menos teoricamente). Há igrejas tão prósperas que algumas estão entre os maiores pagadores de tributos de determinados municípios.
Em vista desses fatos, surge a pergunta: A Igreja está progredindo? A Igreja é uma instituição que inexoralmente caminha para a perfeição? Essa idéia de progresso está baseada em fatos, ou é um conceito ilusório? A Bíblia corrobora essa idéia? E o que veremos a seguir:
A ORIGEM DO CONCEITO DE PROGRESSO
Essa idéia de que a realidade é um progresso integrado, necessariamente progressista, tem a sua origem em um conjunto de doutrinas filosóficas que vêem na evolução a característica fundamental de todos os tipos ou formas de realidade e, por isso, o princípio adequado para explicar a realidade em seu conjunto. Essa foi a visão de Spencer, segundo o qual, o progresso reveste todos os aspectos da realidade.
O filósofo alemão Hegel também foi um outro grande proponente dessa idéia. Segundo ele, tanto o ser como o pensamento constituem um processo dialético que avança mediante o desenvolvimento e a reconciliação dos opostos. Há somente um princípio, que se manifesta numa sucessão de formas variadas e contrastantes, ainda que guardando cada qual um relação orgânica com o seu precedente e, contribuindo todas elas para a expressão do princípio que dá unidade a toda a série. A cada momento a realidade se desenvolve fazendo surgir uma oposição a sua própria imperfeição, e, então, capturando a oposição para combinar de uma maneira mais ampla e completa ambos os termos do contraste anteriormente existente.
A CONTAMINAÇÃO DA TEOLOGIA POR ESSA IDÉIA DE PROGRESSO
Os teólogos liberais, influenciados pelo filósofos do idealismo alemão, se apossaram dessa idéia de progresso e a aplicaram em suas teologias. O idealismo alemão era uma filosofia de teor otimista. Afirmava ser o universo inerentemente racional e que a razão estava triunfando paulatinamente sobre os remanescentes de irracionalidade. O bem, pensava-se, seria algo mais básico do que o mal, de modo que a vitória derradeira do bem estaria definitivamente assegurada. Por vezes, tal maneira de considerar-se as coisas era identificada com a noção cristã do Reino de Deus ou, como Royce o designava, a "Comunidade Amada".
Esse movimento teológico começou a afirmar que a maneira própria pela qual Deus realiza tudo é pelo funcionamento das leis naturais e através de mudanças progressivas.
Até mesmo a ciência foi contaminada. Os cientistas passaram a querer ascender de leis dispersas para conceitos cada vez mais gerais, procurando abarcar toda a realidade em uma só teoria, conhecida como a "teoria de tudo", o santo graal da ciência. Os sociólogos e antropologistas passaram a defender o progresso necessário da civilização que aos poucos estava abandonando idéias primitivas de instintos sanguinários. O destino do homem era a perfeição em todos os campos: religioso, científico, moral, social, etc.
A DISSOLUÇÃO DESSA IDÉIA DE PROGRESSO
O século vinte se iniciou como uma fase promissora na história, pois seria o século no qual a ciência, devidamente equipada para o atendimento das necessidades humanas, haveria de concorrer para o banimento de todos os males da superfície do planeta. As duas guerras mundiais foi "um banho de água fria" na ilusão otimista do liberalismo teológico. O homem mostrou a sua face mais cruel e terrível. A depressão econômica, ocorrida em 1929, também contribuiu para o enterro definitivo dessa teologia do otimismo e do progresso. A humanidade se via no espelho novamente, como má e perversa, inclinada decididamente à auto-destruição. A América começou a fazer instrospecções para entender o verdadeiro estado da alma.
O pressuposto do progresso único, contínuo e necessariamente progressita, que tanto influenciara as pesquisas sociológicas, morais, etc, finalmente foi reconhecido como uma simples hipótese metafísica.
O RETORNO À REALIDADE
Depois da grande decepção, os teólogos finalmente enxergaram a realidade e passaram a buscar novos caminhos na teologia de Kierkegaard e Karl Barth, as grandes figuras da neo-ortodoxia.
O primeiro nos apresentou o conceito do salto da fé que o cristão tem de dar em sua caminhada espiritual. Kierkegaard ressaltou a absoluta transcendência de Deus, ao dizer que Ele é diferente de qualquer coisa que possa ter sua existência demonstrada ou não. Deus se tornou um ser paradoxal para a razão humana. O ser humano não poderá jamais elevar-se a Deus; Deus é quem tem de vir até o homem. Mediante sua análise das ansiedades, do desespero e do pecado na vida humana, ele lançou muita dúvida sobre a legitimidade do otimismo cultivado no decorrer do século dezenove.
Barth também colaborou substancialmente para a nova visão pessimista do homem. Em sua primeira obra publicada, Barth insistiu no conceito de que Deus é "Inteiramente Outro". O fato de ter presenciado os horrores do nazismo, deixou marcas indeléveis em sua alma, a respeito da miséria da existência humana. Para Barth, o homem encontra-se um estado tão miserável que é incapaz de se aproximar de Deus, através de suas próprias faculdades. É necessário que Deus mesmo venha ao seu encontro. Enfim, no lugar do otimismo passou a vigorar o pessimismo.
O RESSURGIMENTO DA IDÉIA DE PROGRESSO ENTRE OS PENTECOSTAIS
Os líderes pentecostais, por ignorância ou por maldade, não levam em conta esses detalhes da história. Tentam iludir as massas persuadindo-as de que o incrível porte de suas igrejas é uma prova inquestionável de que suas instituições estão experimentando um franco progresso, decretado por Deus. Os mesmos fazem constantes comparações com o passado mostrando orgulhosamente os pontos em que suas igrejas avançaram.
O que se pretende mostrar aos evangélicos é que a Igreja continuará experimentando esse desenvolvimento e que nada deterá esse processo rumo à perfeição. Todo aquele que se levanta para mostrar apontar falhas institucionais são taxados de rebeldes, filhos do diabo condenados ao inferno.
Mas será que a Bíblia apóia a idéia de uma igreja que progride rumo à perfeição, que se desenvolve progressivamente, sem experimentar nenhuma crise espiritual?
O QUE A BÍBLIA DIZ SOBRE O ESTADO DA IGREJA DOS ÚLTIMOS TEMPOS
A idéia da "Igreja evolutiva" é totalmente estranha à teologia bíblica. A palavra de Deus, nos ensina, ao contrário, que a degeneração da Igreja é diretamente proporcional ao curso do tempo, ou seja, quanto mais os eventos escatológicos se aproximam, mas os crentes se afastam no paradigma bíblico de santidade. Bastam poucos versículos para provar isso:
"Mas o Espírito expressamente diz que em tempos posteriores alguns apostatarão da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios, pela hipocrisia de homens que falam mentiras e têm a sua própria consciência cauterizada, proibindo o casamento, e ordenando a abstinência de alimentos que Deus criou para serem recebidos com ações de graças pelos que são fiéis e que conhecem bem a verdade". ( I Timóteo 4:1-3)
"Nesse tempo muitos hão de se escandalizar, e trair-se uns aos outros, e mutuamente se odiarão.Igualmente hão de surgir muitos falsos profetas, e enganarão a muitos; e, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará. Mas quem perseverar até o fim, esse será salvo." (Mateus 24:1-13)
"Sabe, porém, isto, que nos últimos dias sobrevirão tempos penosos; pois os homens serão amantes de si mesmos, gananciosos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a seus pais, ingratos, ímpios,sem afeição natural, implacáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus,tendo aparência de piedade, mas negando-lhe o poder" (I Timóteo 3:1-5)
CONCLUSÃO: A prosperidade das igrejas atuais é apenas uma maquiagem que tenta esconder a feiúra. É mais do que patente o declínio espiritual pelo qual passa o pentecostalismo atualmente. Os líderes evangélicos querem somar o poder político ao espiritual, os crentes cada vez mais relativizam os preceitos da palavra de Deus, pregadores e cantores alcançam o "status" de ídolos gospel e não têm mais nenhuma vergonha de cobrar dez mil reais para se apresentarem em uma única noite. Telepregadores aproveitam-se da credulidade alheia para pedirem ofertas cada vez maiores que outro destino não têm que o próprio bolso deles. Nossas igrejas estão repletas de "crentes" que vivem promiscuamente e já perderam qualquer senso de vergonha. A quantidade de heresias que proliferam dentro dos templos é algo assombroso. Cada vez menos se prega sobre o sacrifício expiatório de Cristo. A teologia da cruz foi substituída pela teologia da glória. Apesar disso tudo, os mentirosos ainda conseguem iludir a massa alienada, de que está tudo bem.
Mas nós devemos denunciar esse mentira, como fez Jeremias:
"Porque desde o menor deles até o maior, cada um se dá à avareza; e desde o profeta até o sacerdote, cada um procede perfidamente.Também se ocupam em curar superficialmente a ferida do meu povo, dizendo: Paz, paz; quando não há paz. Porventura se envergonharam por terem cometido abominação? Não, de maneira alguma; nem tampouco sabem que coisa é envergonhar-se. Portanto cairão entre os que caem; quando eu os visitar serão derribados, diz o Senhor." (Jeremias 6:13-15)
Senhores, não se enganem. A Igreja não está evoluindo, está involuindo. Não está crescendo, está encolhendo. Não está se santificando, está cada vez mais dominada pela imundícia. Não está se desenvolvendo, está atrofiando. Abram os olhos, essa é a realidade.
Bibliografia:
Dicionário de Filosofia - Nicola Abgnano
Teologia Contemporânea - William Hordern
Teologia Moderna - H. R. Machintosh
Fonte http://cristisantana.blogspot.com.br/2010/01/grande-mentira-de-que-igreja-esta.html
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
Batismo infantil,qual é a sua opinião?
Metodistas e Presbiterianos promovem ato e polêmica ressurge
Por: Redação Creio
Na última semana após a divulgação da entrevista em que a atriz Luana Piovanni se declara evangélica, outra informação chamou atenção em suas declarações. Piovanni disse que batizaria seu filho em uma Igreja Evangélica. Logo, pelo twitter, vários pastores rebateram a postagem dizendo que as Igrejas Evangélicas não batizam crianças. No entanto algumas como Presbiterianas e Metodistas utilizam deste ato em suas liturgias.
Em um texto postado em um blog metodista argumenta que a denominação batiza crianças pois “ pensa que qualquer criança, antes da idade da razão, é salva, mas, porque tem consciência de que o batismo infantil é uma consagração da criança a Deus e significa a entrada da criança como participante da comunidade de fé, que é a Igreja, tal qual era a circuncisão para as crianças de Israel.”
O reverendo Augusto Nicodemos defendeu em artigo seu posicionamento à favor do batismo de crianças. “Alguns me perguntam por que apresentei meus quatro filhos para serem batizados, quando cada um ainda não tinha mais que dois meses. Minha resposta é que acredito estar seguindo a tradição bíblica, que remonta ao tempo do Antigo Testamento, e que não foi abolida no Novo, de incluir os filhos dos fiéis na aliança de Deus com o seu povo. Batizei meus filhos crendo que, através desse rito iniciatório, eles passaram a fazer parte da Igreja visível de Cristo aqui na terra. Minha crença se baseia no fato de que, quando Deus fez um pacto com Abraão, incluiu seus filhos na aliança, e determinou que fossem todos circuncidados (Gn. 17.1-14). A circuncisão, na verdade, era o selo da fé que Abraão tinha (ver Rm 4-3,11 com Gn 15.6), mas, mesmo assim, Deus determinou-lhe que circuncidasse Ismael e, mais tarde, Isaque, antes de completar duas semanas (Gn. 21.4). Abraão creu e o sinal da sua fé foi aplicado a Isaque, mesmo quando este ainda não podia crer como seu pai. Mais tarde, quando Moisés aspergiu com o sangue da aliança as tábuas da Lei dada por Deus, aspergiu também todo o povo presente no monte Sinai, incluindo obviamente as mães e seus filhos de colo (Hb 9.19-20)”.
QUAL É A SUA OPINIÃO?
sábado, 12 de janeiro de 2013
Graça de Deus
A vida é sem graça sem a manifestação da graça em nossas vidas. O nosso Deus é gracioso. É pela graça que somos salvos (Ef. 2.8-10). É a graça do Senhor Jesus que nos basta. Graça é favor imerecido; preciso, mas não mereço. Dom gratuito. Justiça imputada apesar de nós. É Deus descendo para nos conquistar com o Seu amor. É Ele nos conceder tudo sem nada merecermos. Graça é misericórdia derramada. Perdão revelado e doado. Iniciativa do Pai em nos amar, aceitar,encorajar e quebrantar. A personificação da graça é Jesus que a Si mesmo se deu por nós na cruz, realizando a Sua obra suficiente para nos salvar perfeitamente.
Graça é a manifestação da bondade de Deus. Nós a conhecemos pela paciência de Deus conosco. Ela não é barata, pois custou a vida de Cristo na cruz por nós. Fala de uma morte substitutiva. Ele voluntariamente morreu a nossa morte para que vivêssemos a Sua vida dia a dia. A graça é pedagógica, pois nos ensina, nos confronta. É terapêutica porque nos cura, fazendo-nos agentes de saúde espiritual e emocional. Graça maior que o nosso pecar. Aceitos no amado podemos cantar um cântico novo, fruto de lábios que confessam o Seu nome.
Graça preciosa. Intencional. A partir do coração do Pai. Que aceita o maltrapilho. Recolhe e sara o ferido. Confronta o erro, mas salva o errado. Graça maravilhosa. Portentosa. Que nos encanta dia a dia. Que nos
inspira a celebrar a vida, a tão grande salvação. Que nos motiva a cuidar do meio ambiente, da natureza tão
bela que o Pai confiou a nós para administrá-la. Graça que produz a renovação das misericórdias do Senhor a cada manhã. Deus, por Sua graça, chama, capacita e usa todos os que se inclinam para fazer a Sua vontade.
Graça não é conceito e nem preceito. Ela é a demonstração de toda a aceitação de Deus por meio de Jesus Cristo, o Amado. Ela enseja milagres nas vidas. O novo nascimento, a santificação e a glorificação do cristão autêntico começam com a revelação da graça. Ela nos liberta dos medos e dos enredos da vida. Enseja vida autêntica, sem máscara. É a graça do evangelho e não do legalismo. Revelada na História da Salvação. Como é bom viver pela graça. Ter um coração agradecido. Ser como o leproso samaritano que voltou para agradecer a Jesus porque foi o milagre da graça encarnada. Deus seja sempre glorificado por
Sua maravilhosa graça!
quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
Temperamentos controlados pelo Espírito Santo
O temperamento é o conjunto básico de nosso ser; é a combinação de diferentes características, transmitidas geneticamente, as quais inconscientemente, controlam nosso procedimento. Devido à diferença dos temperamentos, as pessoas poderão ter reações ou comportamentos diferentes perante a mesma situação.
Conhecer nosso próprio temperamento é fundamental para que possamos buscar uma canalização positiva de nossas atitudes advindas do temperamento e o fortalecimento das nossas qualidades.
As pessoas podem ser classificadas em quatro grupos de temperamentos:
Sanguíneo, melancólico, colérico e fleumático
SANGUÍNEO
Qualidades – Comunicativo, destacado, entusiasta, afável, simpático, bom companheiro, compreensivo, crédulo.
Defeitos – Fraco de ânimo, volúvel, indisciplinado, impulsivo, inseguro, egocêntrico, barulhento, exagerado, medroso.
MELANCÓLICO
Qualidades –
Habilidoso, minucioso, sensível, perfeccionista, esteta, idealista, leal, dedicado.
Defeitos – Egoísta, amuado, pessimista, teórico, confuso, anti-social, crítico, vingativo, inflexível.
COLÉRICO
Qualidades – Enérgico, resoluto, independente, otimista, prático, eficiente, decidido, líder, audacioso.
Defeitos – Iracundo, sarcástico, impaciente, prepotente, intolerante, vaidoso, auto-suficiente, insensível, astucioso.
FLEUMÁTICO
Qualidades – Calmo, tranqüilo, cumpridor de deveres, eficiente, conservador, pratico, líder, diplomata, bem-humorado.
Defeitos – Calculista, temeroso, indeciso, contemplativo, desconfiado, pretensioso, introvertido, desmotivado.
Deus nos usa como somos
O apóstolo Pedro era sangüíneo. O sangüíneo tem o “sangue quente”. “As falhas de Pedro estavam justamente no calor do seu coração”. Ele exibia calor, intensivamente em suas emoções e ação dinâmica. Ninguém foi tão falante, tão vibrante e tão decisivo como Pedro. Amava ao Senhor intensamente e era o seu companheiro de todas a horas, Mt.17:1, Jo.21:17. Demonstrava publicamente as suas emoções para com o Senhor, Lc.5:1-11; Jo.6:69. Era desinibido e sincero, Lc.5:8. Comunicativo, sempre respondia com entusiasmo às emoções do seu coração, Mt.14:28-29; Jo.18:10; Submetendo suas fraquezas ao Senhor e cheio do Espírito Santo, Deus o fortaleceu, 1Pe.5:10. Através do livro de Atos podemos ver que seus defeitos foram sobrepujados pelas qualidades, que se realçam em poder nas palavras, 1Pe.2:14-40; constância, 1Pe.3:1; coragem, 1Pe.4:13; sabedoria, 1Pe.4:19-20; alegria, 1Pe.5:41; humildade, 1Pe.10:25-26; amor, 1Pe.10:21-28, amabilidade, 1Pe.11:4; fé, 1Pe.12:6; paciência. 1Pe.12:16 e liderança 1Pe.15:7.
Moisés era melancólico. Muitos personagens da Bíblia demonstraram possuí-lo, mas o mais destacado foi Moisés. Moisés era talentoso At.7:22; abnegado, Hb.11:23-27; perfeccionista (Deus usou essa qualidade para lhe dar os detalhes da Lei, da justiça divina e do Tabernáculo); leal (os livros da Lei, revelam isso) e extremamente dedicado, Ex.32:31-32. Mas sofria de um complexo de inferioridade que trazia à tona todas as fraquezas do melancólico, Ex. 3:11-13; Ex. 4:1,3,10,13. Muitas vezes se deixava dominar pela ira, Nm.20:9-12 e pela depressão, Nm.11:11-15. O seu encontro com o Senhor no Monte Horebe e a freqüente busca da sua face, contudo, fizeram dele um homem cheio do Espírito Santo, um líder destemido, e tornou-se “o homem mais manso da Terra”, Nm.12:3. Suas qualidades se destacaram e foi o grande legislador de Israel.
Paulo era colérico. A principal qualidade do colérico é a força de vontade, que faz dele uma pessoal enérgica, eficiente, resoluta, e um líder cheio de audácia e otimismo. Paulo foi um portador desse temperamento notável, o livro de Atos e suas cartas no-lo revelam. Exemplos: Gl.1:10; Fp.3:10-14; Gl.1:15-18; At.14:19-24. Apesar deste caráter ativo, prático, dinâmico e corajoso, Paulo antes de conhecer a Jesus e receber o Espírito Santo, demonstrou-se um homem cruel, zangado, hostil e amargurado, At.9:1; insensível, At.7:58-59; astucioso e prepotente, At.9:2. Ele testificou de si mesmo, o que vemos em 1Tm.1:12-16. Porem, o enchimento diário do Espírito Santo, a entrega de suas falhas a Deus, 2Co.12:7-10, fizeram dele um líder apto a escrever Gl.5:16-22. Olhando para suas fraquezas, ele afirmou ”Posso todas as coisas naquele que me fortalece”, Fp.4:13.
Abraão era fleumático. Todas as qualidades do fleumático estavam presentes na vida do fiel Abraão. Ele era pacífico, prático e bem humorado, Gn.13:8-9; leal, calmo e eficiente, Gn.14:14-16; cumpridor de seus deveres, Gn.14:20; conservador em seus princípios, Gn.14:22-24. Deus o provou em todas as suas promessas, mas ele permaneceu firme na fé. Dele disse Deus: “Eu o tenho conhecido”, Gn.18:19. Todavia, ele apresentava também os defeitos desse tipo de temperamento. Com o crescimento da sua vida espiritual e submissão a Deus, assumiu suas posições e foi liberto da incredulidade, Hb.11:8-9; do medo, Hb.11:17 e fortalecido na fé, Gn.22:8. Apesar de seu temperamento, o seu direcionamento à Deus, o fez um dos maiores homens que já viveu.
O homem carnal e o cristão imaturo se deixam dominar ou influenciar pelos aspectos negativos do seus temperamentos. Muitas situações difíceis na Igreja, no lar, e na vida secular, são criadas por desconhecimento de nossas fraquezas e falta de um critério espiritual para tomar nova direção.
Todos devemos saber que não somos perfeitos. Contudo, não nos desanimemos Temos apenas que crescer no amadurecimento em Cristo, Rm.12:1-2; Fp.4:13; Rm.6:11-13.
Todas as pessoas se enquadram em um ou mais temperamentos. À proporção que forem sendo transformados pelo Espírito Santo, os defeitos do seu temperamento serão anulados e sua qualidades aperfeiçoadas.
Deus precisava tanto de Paulo colérico, que teve coragem de chegar diante das autoridades e dizer: “estou falando Daquele Jesus que vocês crucificaram, e que não ficou no túmulo, mas ressuscitou dos mortos”, como precisava do amor e carinho de João o fleumático, que tratava a todos com palavras doces como: “filhinhos...amados”. É importante notar que Deus não mudou o temperamento deles, mas canalizou-os, controlando-os com Seu Espírito, fez deles bênçãos. É isso que Ele quer fazer com você.
Deus quer usá-lo como você é:
Se você é sangüíneo, use sua habilidade de comunicação para falar do reino de Deus.
Se você é melancólico, use toda sua sensibilidade, habilidade e dedicação ao Reino de Deus.
Se você é colérico use toda sua audácia, coragem e eficiência, como Paulo, para falar em qualquer tempo e em qualquer lugar, sobre o Jesus crucificado, mas ressurreto.
Se você é Fleumático, use seu amor sua maneira carinhosa de ser, para mostrar ao mundo que vive no ódio e no desamor, o amor Daquele que deu o Seu único Filho por nós e que nos amou primeiro.
Deus nos fez como somos. Seja o que você é, e apenas canalize para Deus o seu temperamento.
Deus quer tão somente controlá-lo com Seu Espírito, de maneira tal que tudo em você seja para glória Dele.
Fonte: www.picarelli.com.br
O discipulado
Jesus mandou seus discípulos fazer discípulos das nações, e empregou o verbo grego matheteo (Mateus 28:19). O que ele queria dizer? O que ele queria? Quando tivermos concluído a lição sobre o discipulado, os nossos alunos não devem aceitar o engano de que as idéias da “graça fácil”, tão freqüentemente associadas à religião da “fé somente”, e a aceitação superficial de Jesus no coração de uma pessoa têm algo a ver com o verdadeiro cristianismo.
Grimm-Thayer (Lexicon, p. 386) e Arndt & Gingrich (Lexicon, p. 485) usam, cada um, as mesmas três palavras para definir a palavra mathetes (do verbo manthano, aprender): “aprendiz”, “aluno” e “discípulo”. Mesmo um iniciante teria concluído isso do uso de Mateus 10:24-25 e Lucas 6:40, em que “discípulo” se opõe a “mestre”, assim como “escravo” se opõe a “senhor”.
Mas uma atenção mais ampla ao uso no Novo Testamento revela que “discípulo” implica uma ligação mais profunda com “mestre” do que às vezes podemos imaginar no uso moderno das palavras “aluno” e “estudante”. O discípulo não se senta apenas aos pés do mestre e aprende com ele. Ele na verdade se compromete ao ensino do mestre. Podem-se estudar os escritos de Karl Marx sem ser discípulo de Marx nem marxista. O discípulo implica não apenas aprender o ensino, mas a aceitação dele, dedicando-se ao mestre, aderindo ao seu ensino e ao estilo de vida devida do mestre. Portanto, palavras como “adepto” e mesmo “aprendiz” devem ser acrescentadas para completar o significado de discípulo.
Analise algumas das passagens que completam o significado da palavra discípulo. Lucas 14:25-35 fala do custo do discipulado. Três vezes Jesus fala das pessoas que “não podem” ser seus discípulos. Observe que essa forte linguagem segue os passos da parábola sobre aqueles que não levam a sério a oportunidade de entrar no reino (Lucas 14:15-24).
Em primeiro lugar, Jesus diz que devemos “aborrecer” o parente mais próximo e até mesmo a própria vida, caso contrário não poderemos ser seus discípulos (Lucas 14:26). Obviamente, o “aborrecimento” não é tomado aqui em valor absoluto. Outras passagens nos ensinam a amar essas pessoas. Então “aborrecer” é usado relativa ou comparativamente (veja Gênesis 29:31 com a declaração imediatamente anterior, no 29:30). O discipulado implica amor e lealdade para com Jesus tão grandes que qualquer outro amor parecerá como o aborrecimento em comparação. E, se não dermos essa devoção a Jesus, as conseqüências não são que nos tornamos um tipo de discípulo de segunda ou terceira categoria, mas sim que não podemos ser discípulos de forma alguma.
Lucas 14:27 liga-se a passagens como Mateus 16:21-28 e Marcos 8:31- 9:1, as quais apresentam o conceito de que a natureza do Messias determina a natureza do discipulado. Tiago e João pensavam no reino messiânico sob o aspecto das vestes reais, os exércitos em marcha e os palácios terrenos, caso em que o discipulado teria significado lugares de destaque para os discípulos principais (Marcos 10:35-45). Mas eles entenderam mal o reino. A coroa de Jesus viria à custa da cruz. E o discipulado em relação a um tal Messias significaria tomar a própria cruz e juntar-se na marcha no encalço de um Messias rejeitado e crucificado. Já que esse era o destino do Messias, nem se pode pensar em ser seu discípulo se não carregar a sua cruz, seguindo fielmente mesmo para o Gólgota, se for necessário.
Após os exemplos sobre a necessidade de levar em conta os custos antes de se lançar a qualquer grande empreendimento (Lucas 14:28-32), Jesus conclui: “Assim, pois, todo aquele que dentre vós não renuncia a tudo quanto tem não pode ser meu discípulo” (Lucas 14:33). Ele continua comparando essa pessoa ao sal que se tornou “insípido” e para nada serve, senão para ser lançado fora (Lucas 14:34-35).
“Fazei discípulos”, disse Jesus a seus apóstolos. Ele já tinha explicado o que era ser discípulo.
Terei de continuar esta exposição da próxima vez. Apenas concluirei com uma palavra de advertência. Aprendi por experiência a facilidade com que alguém é capaz de escorregar para uma visão unilateral na tentativa de dar a devida importância a uma faceta de peso do cristianismo. Não queremos realçar a dureza e a severidade do discipulado sem também apresentar as bençãos maravilhosas que traz. Caso contrário, terminaremos com um quadro muito escuro e frio.
Talvez a melhor idéia seria concluir toda a exposição com uma referência à maravilhosa promessa que Jesus deu em resposta à pergunta de Pedro (Marcos 10:28-31; veja Mateus 19:27-30).
Assinar:
Postagens (Atom)




.jpg)
